Setor de combustíveis vê economia potencial de bilhões com a mistura B20
Instituto Tecnológico de Mauá inicia, em maio, uma bateria de ensaios que pode autorizar a adição de até 20% de biodiesel no diesel vendido no país, passo que tende a mexer nos preços na bomba e na estratégia de importação das distribuidoras.
- Em resumo: Motores rodarão 300 h com B20; se aprovados, o diesel nacional poderá conter 5 p.p. a mais de biocombustível.
Fase inicial testa motores, filtros e emissões
Durante a primeira etapa, serão comparados os desempenhos de B15 e B20 em sistemas de injeção, bicos e filtros. Os lotes de combustível chegam na última semana de maio, e os resultados iniciais devem ser entregues ainda neste semestre, informou Renato Romio, gerente da divisão veicular da instituição, à Reuters.
“É um conjunto de testes bastante amplo, discutido com todas as entidades do setor e que abre caminho para misturas superiores a B15 até o B20”, destacou Daniel Amaral, diretor da Abiove.
Impacto econômico: menos diesel importado, mais renda no agro
Se a mistura maior for regulamentada, cada ponto percentual adicional pode significar economizar cerca de US$ 200 milhões em importações anuais, segundo cálculos do mercado. O Brasil já exige B15 desde março, resultado de um cronograma que começou com B2 em 2008 e avançou gradativamente para estimular a produção de soja, canola e gordura animal destinadas ao biodiesel.
A safra recorde de soja de 2023/24 garante matéria-prima abundante, enquanto a política de combustíveis do governo mira redução de emissões e menor volatilidade cambial no preço do diesel. Analistas veem também vantagem logística: o frete rodoviário responde por até 10% do custo dos alimentos, e qualquer alívio no preço do diesel reflete no índice de inflação.
Como isso afeta o seu bolso? Se o B20 ganhar luz verde, postos podem repassar parte dessa economia e setores intensivos em transporte sentirão alívio imediato. Para mais detalhes sobre mudança de regras no mercado de energia, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agência Brasil