Combustível oculto pode redesenhar o mercado global de energia — ou provocar um choque climático
Ministério da Economia do Japão — A extração experimental de hidratos de metano, o “gelo que pega fogo”, voltou ao radar de investidores e governos após sucessivos testes bem-sucedidos no Mar do Sul da China, acendendo o debate sobre um ativo com densidade energética sem paralelo.
- Em resumo: cada litro desse gelo libera até 168 litros de metano, energia superior à do petróleo in situ.
Hidratos viram aposta bilionária de segurança energética
O Japão, grande importador de gás natural, lidera a corrida para viabilizar a produção comercial ainda nesta década. Segundo dados da Reuters, o governo japonês já destinou mais de US$ 1 bilhão em P&D para perfurações em águas entre 600 e 1.200 m de profundidade.
Um litro de hidrato sólido contém cerca de 168 L de CH4. Estima-se que existam 1 a 5 trilhões de toneladas de carbono presos nessas estruturas, volume superior a todos os demais combustíveis fósseis somados.
Impacto nos preços de gás natural e risco de “arma climática”
Se a tecnologia avançar, países dependentes de importação — caso da Coreia do Sul e da Índia — poderão diversificar oferta e pressionar cotações do GNL. Em contrapartida, o aquecimento dos oceanos ameaça desestabilizar os depósitos: liberações acidentais de metano, 100 vezes mais potente que o CO2 nos primeiros anos, ampliariam o efeito estufa.
Como isso afeta o seu bolso? Uma nova fonte abundante pode baratear a conta de energia, mas vazamentos maciços pressionariam tributos e seguros climáticos. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / BMC News