Empréstimo bilionário amplia alerta sobre o caixa da estatal
Correios – Em 23 de abril, a empresa divulgou um resultado que pressiona diretamente o erário: prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões garantido pela União.
- Em resumo: rombo cresce com R$ 6,4 bi em precatórios e leva a juros de 115% do CDI até 2040.
Precatórios e PDV: a dupla que sangra o balanço
Mais da metade do déficit veio de decisões judiciais já transitadas. As dívidas judiciais, chamadas de precatórios, consumiram R$ 6,4 bilhões em 2025, segundo dados da própria estatal. Esse peso se soma ao Plano de Demissão Voluntária (PDV), que desligou 3.181 empregados entre fevereiro e abril, estratégia típica de reestruturações estatais. Para analistas ouvidos pela Reuters, a medida corta despesas de pessoal, mas não resolve a queda de receita, que encolheu 11,35% frente a 2024.
“O PDV atingiu a mesma adesão do ano anterior em menos da metade do tempo”, destacou o presidente Emmanoel Schmidt Rondon ao apresentar o balanço.
Garantia da União eleva risco fiscal e mira 2040
A solução de curto prazo foi recorrer a um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander. O contrato prevê carência de três anos e amortizações a partir de dezembro de 2029, com custo de 115% do CDI – abaixo do teto de 120% fixado pelo Tesouro Nacional. Contudo, como o governo figura como fiador, qualquer inadimplência da estatal recairá sobre o contribuinte, alimentando a discussão sobre gasto público num momento em que o Banco Central mantém a taxa Selic em patamar elevado para conter a inflação.
Além disso, o Conselho Monetário Nacional autorizou teto extra de R$ 8 bilhões em financiamentos com aval federal, o que pode levar o endividamento total a R$ 20 bilhões nos próximos meses.
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Crédito da imagem: Divulgação / Correios