O valor bilionário para vigiar um labirinto radioativo inatingível
Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) – Quase quatro décadas após a explosão de 26/04/1986, o reator 4 de Chernobyl continua exigindo aportes bilionários. Enquanto isso, o pesquisador Anatolii Doroshenko desce mensalmente ao subterrâneo contaminado para garantir que o combustível nuclear permaneça estável, um passivo que pesa nos cofres públicos europeus.
- Em resumo: O Novo Confinamento Seguro já custou cerca de €1,5 bilhão e deve ser mantido por um século.
O preço do domo maior que a Estátua da Liberdade
Erguido em 2016, o arco de aço que cobre o antigo sarcófago foi financiado por um fundo internacional liderado pelo Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento. De acordo com estimativas publicadas pela Reuters, a estrutura consumiu aproximadamente €1,5 bilhão – valor que inclui engenharia, transporte e montagem a 108 metros de altura.
“Em algumas salas, preciso terminar tudo em menos de quatro minutos”, diz Doroshenko sobre os níveis extremos de radiação nos corredores subterrâneos.
Combustível preso por 40 anos e o impacto fiscal futuro
Cerca de 200 toneladas de combustível nuclear ainda estão sob os escombros, volume que a própria AIEA projeta levar até 40 anos para ser removido com segurança. Nesse período, governos europeus reservam verbas anuais para manutenção, fiscalização e exames médicos obrigatórios das equipes – uma despesa recorrente que concorre com investimentos em energia limpa e pressiona metas fiscais.
Como isso afeta o seu bolso? O prolongamento desses custos mantém elevadas as contribuições de países do bloco para fundos nucleares e pode refletir em tarifas de energia. Para acompanhar análises sobre orçamento público e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images