Operação de câmbio que processava 12 milhões de transações mensais sai de cena
Banco Central – O regulador decretou recentemente a liquidação extrajudicial da Frente Corretora, alegando deterioração financeira e “graves violações” às normas cambiais, retirando a instituição de circulação de forma imediata.
- Em resumo: 6 milhões de clientes ficam sem operação ativa enquanto patrimônio dos ex-gestores permanece indisponível.
Por que a intervenção foi considerada de baixo risco sistêmico?
Enquadrada no segmento S4 — categoria que reúne players menores do Sistema Financeiro Nacional — a corretora representava apenas 0,021% do volume de câmbio em 2025, de acordo com dados oficiais do Banco Central. Ainda assim, a decisão trava bens dos controladores para proteger eventuais credores e clientes.
“[O BC] continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais.”
Escalada meteórica e o que acontece agora com clientes e parceiros
Fundada em 2017, a Frente havia expandido rapidamente por meio de parcerias com Gol/Smiles, PicPay, Hurb, Livelo e MoneyGram. Somente em 2020, inaugurou uma operação nos Estados Unidos e alardeava 12 milhões de transações mensais, movimentando mais de R$ 20 bilhões desde a criação.
Com a liquidação, todas as operações de compra e venda de moeda ficam suspensas. Clientes corporativos que usavam a plataforma para remessas internacionais deverão migrar para outra instituição autorizada. Já os consumidores que mantinham saldo em contas de pagamento em moeda estrangeira entram na lista de credores e devem aguardar o relatório do liquidante nomeado pelo BC.
Historicamente, processos semelhantes — como os de 2022 envolvendo corretoras menores de câmbio — levaram entre 12 e 24 meses para conclusão, fase em que o Banco Central pode propor acordos ou encaminhar elementos para o Ministério Público Federal caso encontre indícios de crime financeiro.
Como isso afeta o seu bolso? Se você utilizava a plataforma para viagens, remessas ou programas de milhas, verifique contratos e recibos para facilitar o pedido de ressarcimento. Para mais desdobramentos sobre fiscalizações e impacto no mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central