Juros altos e dólar volátil freiam apetite por máquinas no campo
Agrishow 2026 – Na última quarta-feira (1º/5), a maior vitrine de tecnologia agrícola do país encerrou a edição de 2026 com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, recuo de 22% frente ao ano passado e sinal claro de que o crédito rural segue apertado para produtores e indústrias.
- Em resumo: venda de máquinas agrícolas despencou 19,9% no 1º trimestre, segundo Abimaq.
Crédito caro esfria compra de tratores e colheitadeiras
O recuo acompanha o ciclo de aperto monetário. Mesmo com cortes recentes, a taxa Selic continua em dois dígitos, o que pressiona o custo dos financiamentos rurais. De acordo com dados do Banco Central compilados pela Reuters, o juro básico caiu, mas permanece acima dos 10%, patamar considerado restritivo para investimentos de longo prazo.
“O cenário é resultado da combinação de juros elevados, volatilidade cambial e preços menos favoráveis das commodities”, comentou Pedro Estevão, da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq.
Perspectiva 2027: retomada depende de câmbio e safra
Historicamente, anos de baixa no agronegócio costumam ser sucedidos por retomada quando margens e liquidez se recompõem. Em 2024, por exemplo, a Agrishow havia batido recorde de R$ 13,7 bilhões antes do atual ciclo negativo. Para 2027, analistas monitoram dólar, projeções de produtividade e a próxima safra de grãos: se os preços das commodities reagirem e o BC seguir cortando a Selic, a demanda por máquinas tende a ganhar fôlego.
Como isso afeta o seu bolso? Menos investimentos no campo podem atrasar entregas e encarecer alimentos processados. Para acompanhar de perto os próximos movimentos do agronegócio e do mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agrishow