Feira sente efeito dos juros altos enquanto produtor segura o caixa
Agrishow — A maior vitrine de tecnologia agrícola do país encerrou a edição mais recente com R$ 11,4 bilhões negociados, queda de 22% ante o ano anterior, reflexo direto de custos de financiamento mais salgados e da tensão geopolítica no Oriente Médio.
- Em resumo: juros elevados e incertezas externas reduziram em R$ 3,2 bilhões o volume fechado na feira.
Taxa Selic e guerra pressionam caixa do produtor
Com a taxa básica de juros ainda em patamar de dois dígitos, segundo dados do Banco Central, o crédito rural encareceu justamente quando o conflito no Oriente Médio elevou custos logísticos e de fertilizantes. Esse duplo aperto empurrou muitos agricultores a priorizar capital de giro em vez de investir em máquinas.
“O agricultor vem de anos de aumento de custos de produção, margens menores e, agora, prioriza o custeio”, destacou João Carlos Marchesan, presidente da feira, durante o balanço oficial.
Condições especiais aliviam parte da queda
Fabricantes como Massey Ferguson e cooperativas como a Coopercitrus recorreram a consórcios com taxa reduzida, descontos agressivos e operação barter para fisgar compradores. Apesar do cenário adverso, alguns estandes relataram tráfego recorde e expectativa de vendas pós-feira até 20% superiores ao habitual.
Como isso afeta o seu bolso? Menos investimento em maquinário pode frear ganhos de produtividade e pressionar o preço dos alimentos no médio prazo. Para acompanhar os próximos desdobramentos do agro e da economia, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Agrishow