Corte segue no radar do Copom, mas ciclo pode acabar antes do previsto
Banco Central – Em comunicado recente, a autoridade monetária reforçou que a Selic, agora em 14,50% ao ano, deverá continuar recuando nas próximas reuniões, ainda que o conflito no Oriente Médio se estenda, ajustando apenas a “extensão” do ciclo se os riscos piorarem.
- Em resumo: Copom reitera quedas graduais de 0,25 p.p., mas admite encerrar o ciclo mais cedo caso a inflação pressione.
Copom introduz “extensão” como nova variável de política
A inclusão da palavra “extensão” no comunicado sinaliza que, além do ritmo, a duração dos cortes está na mesa. Conforme apurou a Reuters, diretores do BC veem espaço para afrouxar juros, mas monitoram petróleo e expectativas inflacionárias.
“Em vez de parar de cortar, o BC deve apenas reduzir o tamanho do ciclo”, avaliou Fabio Kanczuk, ex-diretor da autarquia, ao InvestNews.
Por que 14,50% ainda pesa (e como a trajetória pode aliviar)
A taxa básica segue mais que o dobro da mínima histórica de 2,00% registrada em 2020. Mesmo com dois cortes consecutivos, financiamentos imobiliários, rotativo do cartão e crédito para empresas continuam encarecidos. Já aplicações atreladas ao CDI, como CDBs e Tesouro Selic, preservam rentabilidade real acima da inflação.
Historicamente, ciclos de flexibilização prolongados reduzem o custo do capital e estimulam consumo e investimentos. O próprio BC projeta, em seu Relatório de Inflação, IPCA perto do centro da meta de 3% até 2027, mesmo com a Selic chegando a 13,50% em 2026, conforme estimativa da gestora ASA citada por Kanczuk.
Como isso afeta o seu bolso? Se o Copom realmente mantiver a cadência de cortes, linhas de crédito tendem a ficar gradualmente mais baratas e a rentabilidade dos títulos pós-fixados pode ceder. Para acompanhar cada movimento da Selic e seus reflexos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central