Cifra inédita reforça ajuste fiscal e reacende debate sobre isenção do IR
Receita Federal – Março registrou entrada de R$ 308 milhões em tributos sobre dividendos, valor que estreia no caixa público após a alíquota de 10% para pessoas físicas com ganhos acima de R$ 50 mil anuais.
- Em resumo: O novo imposto elevou a arrecadação federal, que somou R$ 229,249 bilhões, o melhor março desde 2000.
Alíquota de 10% cria fonte extra de recursos
De acordo com o coordenador Marcelo Gomide, a cobrança complementa a renúncia gerada pela faixa de isenção do IR até R$ 5 mil mensais. Dados compilados pela Reuters mostram que Brasil se junta a economias emergentes que tributarizam distribuição de lucros para reforçar o caixa pós-pandemia.
“Tem duas questões sobre PIS e Cofins: o setor de serviços segue resiliente e vemos segmentos com alta expressiva desde o fim do Perse”, destacou Gomide.
Serviços e combustíveis completam a conta
As receitas de PIS e Cofins avançaram 4,95% na comparação anual, alcançando R$ 48,137 bilhões. A evolução reflete a tração dos serviços e o efeito retardado das desonerações sobre diesel e QAV, anunciadas em 11 de março para conter repasses da alta do petróleo.
No front dos combustíveis, o impacto da isenção só deve aparecer plenamente nos próximos boletins, mas já sinaliza alívio de R$ 0,32 por litro de diesel. Historicamente, mudanças tributárias sobre combustíveis têm efeito quase imediato na inflação ao consumidor, segundo séries do IBGE.
Enquanto isso, a arrecadação recorde de R$ 229,249 bilhões reforça a estratégia de equilíbrio fiscal em meio às negociações do novo arcabouço. No comparativo internacional, países como Canadá e Austrália aplicam alíquotas de 15% a 30% sobre dividendos, sugerindo espaço para ajustes graduais no Brasil caso a arrecadação não acompanhe o gasto social.
Como isso afeta o seu bolso? O aumento das receitas pode reduzir a pressão por novos tributos, mas a taxação de dividendos diminui o rendimento líquido de quem recebe lucros acima do limite. Para acompanhar detalhes sobre economia e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Receita Federal