Mudança climática pressiona patrimônios históricos e receitas dos países-ilha
UNESCO – Reconhecida como Patrimônio Mundial, a antiga metrópole de Nan Madol, na Micronésia, ganhou notoriedade novamente após estudos recentes apontarem que a elevação do nível do mar ameaça não só as muralhas de basalto erguidas há 800 anos, mas também as receitas de turismo que sustentam boa parte da economia local.
- Em resumo: perda do sítio pode representar um rombo estimado em US$ 130 milhões por década para os cofres da região.
Basalto, canais e um investimento logístico que inspiraria megaprojetos atuais
Erguida sobre 92 ilhas artificiais, a cidade exigiu transporte marítimo de mais de 750 mil toneladas de basalto – uma façanha que, à cotação de frete atual, equivaleria a dezenas de milhões de dólares. Segundo a Reuters, a logística continua crucial: cada centímetro de elevação do mar impõe custos extras de manutenção que já consomem 4 % do PIB das pequenas nações do Pacífico.
Pesquisadores calculam que blocos de até 50 t foram empilhados sem argamassa, formando defesas naturais contra as ondas e servindo de centro político da dinastia Saudeleur.
O que está em jogo: empregos, câmbio e estabilidade fiscal
Turismo representa mais de 60 % das exportações de serviços da Micronésia. Caso a cidade sofra erosão irreversível, hotéis, operadoras de mergulho e guias locais podem ver a demanda despencar, pressionando reservas em dólar e o balanço de pagamentos. Para investidores em “green bonds”, o risco dá força a projetos de adaptação costeira, hoje avaliados em US$ 1,4 bi na região, segundo dados do Banco Mundial.
Como isso afeta o seu bolso? Mudanças climáticas que derrubam destinos turísticos tendem a encarecer passagens e diminuir a oferta de pacotes culturais. Para mais detalhes sobre impactos econômicos globais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / UNESCO