Alerta fitossanitário pressiona preços e logística no agronegócio
Comissão Europeia — O sistema de alerta rápido do bloco sinalizou recentemente seis carregamentos de farelo de soja da Argentina e do Brasil com o gene HB4, ainda não aprovado na União Europeia, forçando retiradas de lotes e colocando em xeque a confiabilidade dos dois maiores fornecedores do mercado europeu.
- Em resumo: cargas retidas podem deslocar parte da demanda europeia para EUA e Ucrânia, encarecendo o insumo para ração animal.
Risco logístico pressiona prêmios da soja sul-americana
A investigação conduzida pela Holanda, principal porta de entrada de grãos no bloco, já resultou em três recalls de mercadoria. Segundo a agência Reuters, há questionamentos sobre o método de detecção, que poderia gerar “falsos positivos”, de acordo com a câmaras de exportadores argentinos.
“O teste usado não é o protocolo patenteado pela desenvolvedora Bioceres e pode produzir detecções errôneas”, argumentou Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, em nota oficial.
Regra rígida de OGMs na UE e o custo para exportadores
Mesmo permitindo rações transgênicas aprovadas, Bruxelas mantém tolerância zero a eventos não autorizados. Em 2024/25, o bloco já importou 9,9 milhões t de farelo brasileiro e 6,9 milhões t do argentino; qualquer interrupção gera pressão altista, pois a Ucrânia, terceiro maior fornecedor, responde por apenas 930 mil t. Historicamente, alertas semelhantes elevaram prêmios de exportação em até 5 USD/t e redirecionaram compras para fornecedores norte-americanos, acrescentando custos de frete e tempo de trânsito.
Como isso afeta o seu bolso? A alta potencial do farelo encarece proteína animal e pode chegar à gôndola via carnes e laticínios. Para acompanhar os próximos desdobramentos do mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Comissão Europeia