Mercado prevê novos choques de oferta caso Ormuz continue sob tensão
Estados Unidos – A avaliação “pouco promissora” feita por Donald Trump sobre a proposta de 14 pontos encaminhada por Teerã reacendeu o temor de interrupções no Estreito de Ormuz, rota por onde circula quase um quinto do petróleo negociado no planeta, segundo cálculos da Agência Internacional de Energia.
- Em resumo: indefinição sobre o acordo mantém o frete marítimo e o barril de Brent sob risco de alta imediata.
Reabertura total de Ormuz é peça-chave para o fluxo global
Trump afirmou que uma resposta norte-americana “ainda está em análise”, mas sugeriu que o Irã “não sentiu as consequências devidas” — sinal de que as sanções podem se estender. Dados compilados pela Reuters mostram que o corredor esteve parcialmente fechado desde 13 de abril, levando 48 navios comerciais a recuar ou alterar rota.
“O Irã ainda não enfrentou um custo proporcional pelas ações dos últimos anos”, escreveu o presidente em rede social, diminuindo a probabilidade de aceitar o plano.
Sanções ampliam pressão sobre logística e combustíveis
Pela via diplomática, Paquistão segue como intermediário — papel já visto em rodadas anteriores. Mas, paralelamente, Washington advertiu transportadoras de que pagamentos ao regime iraniano, inclusive em criptoativos ou swaps, podem render punições severas. Em 2024, restrições semelhantes elevaram o custo do seguro marítimo em até 15% e puxaram o prêmio de risco do Brent, lembram analistas da Energy Aspects.
Historicamente, cada 1% de queda no fluxo de Ormuz adiciona cerca de US$ 1 ao preço do barril, mostram estatísticas da Administração de Informação de Energia dos EUA. Se o impasse prolongar a escassez, distribuidoras brasileiras podem repassar o choque ao consumidor já no próximo ajuste de preços de derivados.
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Crédito da imagem: Divulgação / Associated Press