Do seu salário saem dois descontos obrigatórios: o INSS e o Imposto de Renda. O salário bruto é o valor total combinado com a empresa; o líquido é o que realmente cai na sua conta depois desses descontos. A diferença entre um e outro costuma surpreender quem vê a carteira assinada pela primeira vez.
Um detalhe importante alivia a conta: o FGTS não é descontado de você. A empresa deposita 8% sobre o seu bruto numa conta separada, por fora, sem mexer no que você recebe. Então, na prática, o que encolhe o salário são mesmo o INSS e o IR. Vamos ver como cada um funciona e como chegar ao seu líquido.

Salário bruto: o número do contrato
O salário bruto é o valor cheio, aquele que aparece no contrato e no topo do holerite. Se a empresa ofereceu R$ 3.000, esse é o seu bruto. Sobre ele incidem os descontos e também os depósitos do FGTS. É a base de quase todos os cálculos trabalhistas, do 13º às férias.
Salário líquido: o que sobra para você
O líquido é o bruto menos os descontos. É o dinheiro que de fato pinga na conta no fim do mês. Entre o bruto e o líquido moram o INSS e o Imposto de Renda, e às vezes alguns descontos extras, como vale-transporte, plano de saúde ou adiantamentos, que variam de empresa para empresa.
Desconto 1: a contribuição ao INSS
O INSS é a sua contribuição à Previdência, o que garante aposentadoria, auxílio-doença e outros benefícios. Ele é cobrado por faixas progressivas: alíquotas que vão de 7,5% a 14%, aplicadas como num degrau. A primeira parte do salário paga 7,5%, a faixa seguinte paga 9%, e assim por diante, até um teto.
Esse formato progressivo faz a alíquota efetiva ficar menor do que parece. Existe ainda um teto: acima de certo valor, o desconto do INSS não cresce mais. As faixas são reajustadas todo ano e acompanham o salário mínimo, então vale conferir a tabela vigente. Essa contribuição é a mesma que conta lá na frente para a sua aposentadoria pelo INSS.
Desconto 2: o Imposto de Renda na fonte
O segundo desconto é o IRRF, o Imposto de Renda retido direto no holerite. Ele também é progressivo: existe uma faixa de isenção para os salários menores e, acima dela, alíquotas de 7,5% a 27,5%, aplicadas por faixas.
Um ponto que confunde muita gente: o IR não incide sobre o bruto. A base de cálculo é o salário depois de descontado o INSS e, se houver, uma dedução por dependente. Por isso o imposto sai menor do que daria se fosse calculado sobre o valor cheio. Os limites das faixas mudam de ano para ano, e é esse mesmo imposto que você acerta na declaração anual.
O que não é descontado do seu salário
Nem tudo que a empresa gasta com você sai do seu bolso. O FGTS, por exemplo, é depósito do empregador, não desconto. Já o vale-transporte pode descontar até 6% do salário, mas só se você optar por recebê-lo. Plano de saúde e vale-refeição variam conforme o acordo de cada empresa.
Exemplo: do bruto ao líquido
Veja a lógica com um salário de R$ 3.000, usando valores aproximados apenas para ilustrar (as faixas reais mudam a cada ano):
| Etapa | Valor (ilustrativo) |
|---|---|
| Salário bruto | R$ 3.000,00 |
| (–) INSS (faixas progressivas) | ≈ R$ 250,00 |
| (=) Base do Imposto de Renda | ≈ R$ 2.750,00 |
| (–) Imposto de Renda na fonte | ≈ R$ 40,00 |
| (=) Salário líquido | ≈ R$ 2.710,00 |
Os números exatos dependem da tabela do ano e dos seus dependentes, mas a ordem é sempre essa: primeiro tira o INSS, depois calcula o IR sobre o que sobrou, e o resultado é o seu líquido.
Como calcular o seu salário líquido
- Comece pelo salário bruto, o valor do contrato.
- Aplique as faixas de INSS vigentes e descubra a contribuição do mês.
- Subtraia o INSS do bruto para achar a base do Imposto de Renda.
- Aplique a tabela do IR sobre essa base, abatendo a dedução por dependente, se houver.
- Subtraia o IR e quaisquer descontos opcionais. O que sobra é o líquido.
Outros descontos que podem aparecer no holerite
Além de INSS e Imposto de Renda, o holerite pode trazer descontos que variam de empresa para empresa e de pessoa para pessoa. O vale-transporte pode abater até 6% do salário, mas só se você optar por recebê-lo. A coparticipação do plano de saúde, o vale-refeição e eventuais adiantamentos também entram aqui. Se houver pensão alimentícia determinada na Justiça, ela é descontada direto na folha.
Por isso dois colegas com o mesmo salário bruto podem receber líquidos diferentes. Vale ler o holerite linha por linha pelo menos uma vez, para separar o que é desconto obrigatório do que é opcional ou específico do seu caso.
E quem não tem carteira assinada?
Quem é MEI, autônomo ou trabalha como pessoa jurídica não tem esses descontos automáticos, porque não há folha de pagamento. Nesses casos, a contribuição ao INSS e o Imposto de Renda são recolhidos por conta própria, pelo DAS mensal do MEI, pelo carnê-leão ou pela retirada de pró-labore. A lógica de separar o bruto do que sobra líquido continua valendo; só muda quem faz o recolhimento.
PLR, bônus e 13º: por que caem diferente no seu bolso
Nem todo dinheiro que a empresa paga passa pela mesma régua de descontos, e entender isso evita sustos no extrato. A Participação nos Lucros e Resultados, a famosa PLR, é tributada de forma separada do salário, por uma tabela própria de Imposto de Renda, e não sofre desconto de INSS. Por isso ela costuma chegar mais “cheia” do que um valor equivalente somado ao salário do mês.
O bônus comum, por outro lado, quando é pago junto com a remuneração normal, entra na conta do mês e é tributado como se fosse salário, com INSS e Imposto de Renda incidindo sobre o total. Já o décimo terceiro tem tributação exclusiva na segunda parcela, sem se somar ao salário de dezembro para efeito de imposto.
Na prática, isso significa que dois pagamentos do mesmo valor podem chegar diferentes na conta, dependendo de como são classificados. Vale conferir no holerite qual é qual: às vezes o que parece um desconto a mais é só a natureza daquele pagamento específico. Saber a diferença ajuda a planejar o orçamento sem contar com um líquido que não vai se confirmar.
Perguntas frequentes
Quanto é descontado do salário, em média?
Para a maioria dos salários de carteira assinada, os descontos de INSS e IR somados ficam entre cerca de 8% e 20% do bruto, crescendo conforme o salário sobe. Salários menores podem ter só o INSS, por caírem na faixa de isenção do Imposto de Renda.
O FGTS é descontado do meu salário?
Não. O FGTS é um depósito feito pela empresa, equivalente a 8% do bruto, numa conta sua no fundo. Ele não reduz o valor que você recebe no fim do mês.
Por que meu líquido mudou sem aumento de salário?
Costuma ser por causa do reajuste anual das faixas de INSS e IR, da inclusão ou saída de um dependente, ou de uma mudança em descontos opcionais, como o vale-transporte ou o plano de saúde.
Salário bruto ou líquido vale para financiamento?
Os bancos costumam analisar o bruto para definir limites, mas é o líquido que cabe de verdade no seu orçamento. Planeje sempre pelo líquido, que é o dinheiro que você realmente tem.
Salário bruto e líquido: o que levar
Bruto é a promessa do contrato; líquido é o que chega à conta. Sabendo que o caminho entre os dois passa por INSS e Imposto de Renda, você consegue conferir o holerite, prever o próximo salário e organizar o orçamento sobre o número certo. E é sobre o líquido que se monta uma boa reserva de emergência.
Conteúdo educativo e informativo. Regras, faixas e valores trabalhistas e tributários são reajustados periodicamente; confirme a tabela do ano vigente ou consulte um profissional para o seu caso.
