Alta generalizada nos DIs antecipa custo maior para empresas e famílias
Banco Central do Brasil – Na quarta-feira (29), a curva de juros futuros ganhou inclinação acentuada, reflexo de um Caged mais forte que o esperado e da cautela simultânea do Fed e do Copom, movimento que pressiona, desde já, o preço de financiamentos e captações no mercado doméstico.
- Em resumo: a taxa do DI jan/29 saltou de 13,580% para 13,845%, avanço de 26 pontos-base.
Fed mantém juros, mas dissidência recorde eleva prêmio de risco
O rendimento dos Treasuries – referência global – subiu após o Fomc repetir a taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano, com a maior dissidência desde 1992. O movimento atravessou as mesas de operação em São Paulo e exigiu prêmio adicional nos DIs de todos os prazos.
“O mercado leu a votação dividida como sinal de que o aperto monetário pode durar mais, elevando os yields longos e contaminando as curvas emergentes”, destacou um gestor ouvido pelo Money Times.
Caged surpreende e reforça aposta de Copom menos agressivo
Em paralelo, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostrou criação de 228.208 vagas formais em março, bem acima da mediana de 150 mil. O dado alimenta a ideia de atividade resiliente, que dificulta cortes mais ousados na Selic. Antes da divulgação, contratos negociados na B3 já precificavam 90,5% de chance de redução de apenas 0,25 ponto percentual na reunião da próxima semana.
Historicamente, cada 10 pontos-base de alta no DI costuma encarecer emissões corporativas em proporção semelhante. Com a ponta longa (jan/36) chegando a 13,820%, o patamar volta a níveis vistos em fevereiro, quando o mercado ensaiava Selic terminal de 14,50% – limite que, se confirmado, impactará diretamente hipotecas, crédito agrícola e linhas de capital de giro.
Como isso afeta o seu bolso? Um DI mais alto serve de referência para bancos ao formar o custo do empréstimo. Se a tendência se mantiver, financiamentos de veículos, cartões rotativos e mesmo o parcelado sem juros devem ficar mais caros nos próximos meses. Para acompanhar os desdobramentos e proteger seu orçamento, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil