Analistas veem provisões do agro como bomba-relógio para 2026
Banco do Brasil divulgou na última quinta-feira (23) números detalhados de sua carteira agrícola e desencadeou uma onda de revisões pessimistas em grandes casas de análise, com impacto direto no preço-alvo da ação BBAS3.
- Em resumo: BTG Pactual e Safra cortaram o preço-alvo de BBAS3 para R$ 25 e R$ 27, respectivamente, citando risco de mais provisões.
R$ 65 bi prorrogados e 36% vencendo em 2026 incomodam mercado
O cronograma revelado no Investor Day mostrou que 36% da carteira prorrogada de R$ 65 bilhões tem vencimento concentrado em 2026 — dado que, segundo relatório do Itaú BBA, pode pressionar margens num momento de juros ainda elevados. Para BTG, o volume é preocupante porque o setor rural enfrenta preços de commodities em queda e câmbio volátil, fatores que encarecem insumos, conforme dados de commodities monitorados pela Reuters.
“A concentração de pagamentos em 2026, aliada a margens apertadas, exige cautela com despesas de provisão ao longo do ano”, destacou o Itaú BBA em nota a clientes.
Provisões podem subir 13% além do teto do guidance
O BTG projetou que as provisões do banco chegarão a R$ 64,7 bilhões em 2026 — 13% acima do limite superior indicado pela instituição. O banco de investimento reduziu suas estimativas de lucro por ação em até 16,5% entre 2026 e 2028 e agora vê lucro líquido de R$ 20,1 bilhões no próximo ano, com ROE de 10,3%.
Já o Safra manteve recomendação neutra, mas baixou o preço-alvo para R$ 27, citando incertezas como conflitos geopolíticos, risco climático (La Niña) e alto número de pedidos de recuperação judicial no campo. A XP e o Itaú BBA também reiteraram postura cautelosa, situando seus preços-alvo em R$ 25 e R$ 22, respectivamente.
Historicamente, o crédito rural costuma exibir inadimplência abaixo da média do sistema financeiro. No entanto, a sequência de safras afetadas pelo clima entre 2024 e 2025 elevou o índice de atrasos e obrigou bancos a alongar dívidas. Segundo o Banco Central, o agronegócio representa cerca de 30% do PIB brasileiro, o que amplia o efeito-dominó dessas operações no resultado das instituições.
Como isso afeta o seu bolso? Se novas provisões se confirmarem, dividendos podem encolher e a ação ficar menos atrativa no curto prazo. Para acompanhar todas as atualizações sobre bancos e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco do Brasil