Exportadores projetam salto de competitividade e PIB com nova janela comercial
Mercosul e União Europeia — O tratado de livre-comércio entre os dois blocos passou a valer de forma provisória nesta sexta-feira (1), 26 anos após o começo das negociações, abrindo imediatamente o mercado europeu para milhares de produtos brasileiros sem cobrança de imposto.
- Em resumo: mais de 5 mil itens já entram na UE com tarifa zero; carne tem cota de 99 mil t tributada em 7,5%.
Tarifa zero já atinge máquinas, químicos e alimentos
Bens industriais, matérias-primas e alimentos fora das cotas, como máquinas, equipamentos e produtos químicos, poderão ingressar no bloco europeu sem imposto de importação. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, mais de 80% das exportações brasileiras passam a ter alíquotas reduzidas, movimento que tende a ampliar margens e market share. Dados preliminares compilados pela Reuters indicam que empresas do agronegócio e do setor metalúrgico são as primeiras a revisar projeções de receita para cima.
“Mais de 80% das exportações brasileiras para a Europa terão tarifa reduzida”, estima a CNI.
Projeção de US$ 9,3 bi no PIB e fase de ‘test drive’ jurídico
Estudo do IPEA calcula um acréscimo potencial de 0,46% ao Produto Interno Bruto, algo em torno de US$ 9,3 bilhões até 2040. A contrapartida europeia será feita de forma gradual: em 12 anos, a UE pretende zerar tarifas sobre 95% dos produtos do Mercosul; o bloco sul-americano terá 15 anos para eliminar tributos de 91% dos itens europeus.
Apesar da euforia inicial, o acordo ainda precisa do aval do Tribunal de Justiça da União Europeia, que pode ratificar ou suspender os termos em até dois anos. Até lá, o período operacional servirá como um “test drive”: se os receios ambientais e sanitários forem dissipados, a liberalização tende a avançar; caso contrário, há caminho legal para frear o pacto.
Como isso afeta o seu bolso? Custos menores de produção e maior oferta de importados podem pressionar preços internos e reduzir a inflação de bens industriais. Você acredita que as empresas brasileiras estão prontas para aproveitar essa abertura? Para acompanhar análises diárias do mercado, acesse nossa editoria de Economia e Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / União Europeia