Reembolso a importadores vira ameaça fiscal e irrita mercado
Suprema Corte dos Estados Unidos – Ao derrubar o tarifaço imposto pelo governo e liberar a devolução das taxas pagas, o tribunal abriu caminho para um potencial rombo de US$ 159 bilhões, número que o presidente Donald Trump classificou como “absurdo”.
- Em resumo: Empresas que pagaram as tarifas já podem solicitar reembolso, montante estimado em até US$ 166 bilhões, segundo documentos judiciais.
Efeito cascata: de processos na Alfândega à conta do Tesouro
Com a decisão, o sistema eletrônico da Alfândega e Proteção de Fronteiras passou a aceitar, desde 20 de fevereiro, pedidos de devolução em lote, reduzindo a burocracia para mais de 330 mil importadores. Analistas ouvidos pela agência Reuters alertam que o desembolso, além de impactar o caixa federal, pode alterar previsões de inflação e balança comercial ainda neste trimestre.
“Tudo o que os juízes precisavam fazer era acrescentar meia frase dizendo que os valores já pagos não seriam devolvidos”, criticou Trump, ironizando que o montante supera “o valor de muitos países”.
Por que o rombo pode ultrapassar a marca citada por Trump?
Economistas lembram que, na prática, o teto de US$ 159 bilhões pode subir porque os juros incidentes sobre cada restituição são calculados desde a data do desembaraço. Entre 2018 e 2023, o Fed elevou juros sete vezes, o que engordou a fatura das remessas. Para efeito de comparação, a tarifa Section 301 que originou o conflito gerou pouco mais de US$ 150 bilhões em arrecadação bruta ao longo de seis anos, segundo dados públicos do USTR.
Como isso afeta o seu bolso? A pressão sobre o déficit pode forçar novas emissões de títulos e influenciar os rendimentos dos Treasuries, reflexo que respinga em fundos de renda fixa e câmbio ao redor do mundo. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters