Preço do “bife de jumento” ilustra a corrida por proteínas mais baratas na crise
Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) — Dados divulgados recentemente mostram uma escalada de 55% no preço da carne bovina em regiões da Argentina, empurrando consumidores da Patagônia para cortes de burro que custam apenas 7.500 pesos (cerca de R$ 27) o quilo.
- Em resumo: quilo de burro sai até 63% mais barato que o bovino, que já beira 19.000 pesos.
Quando o bolso dita o cardápio: inflação de alimentos pressiona
Na Grande Buenos Aires, carnes lideram a inflação de 9,4% acumulada no ano, segundo dados da Reuters. Isso se reflete no consumo: em todo o país, a ingestão de carne bovina recuou 10% no primeiro trimestre, atingindo o menor patamar em duas décadas.
“Não há nenhum impacto na produção local, mas o interesse revela a perda de poder de compra”, disse o especialista em carnes Victor Tonelli ao comentar o fenômeno dos “bifes de jumento”.
Burro na grelha: nicho gastronômico ou tendência de mercado?
O projeto piloto “Burros Patagônicos”, liderado pelo produtor rural Julio Cittadini, já mantém 150 animais em Chubut. A carne, mais escura e com menos gordura, esgotou em poucas horas no açougue de Trelew, segundo a restauratrice Carla Gutiérrez. A preferência não é apenas curiosidade: com a renda real em queda, cada peso economizado conta.
Historicamente, o argentino consumia 82 kg de bovina por ano na década de 1960; hoje são 45 kg. A lacuna é preenchida por frango, suíno e, agora, proteínas alternativas. Analistas lembram que a desvalorização do peso, somada à estagnação salarial, reduz o acesso a produtos de maior ticket. Enquanto o governo Milei promete domar a inflação, a cesta básica segue encarecendo.
Como isso afeta o seu bolso? Mudanças de hábito na Argentina costumam antecipar tendências regionais: se a carne premium ficar cara no Brasil, cortes “exóticos” podem surgir como opção. Para acompanhar os próximos movimentos da economia sul-americana, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / BBC News