Europa fecha portas às proteínas do Brasil; exportadores pressionam por solução rápida
Ministério da Agricultura – Na última quarta-feira (13), o governo brasileiro acertou com a União Europeia o envio, em até duas semanas, de um pacote de comprovações sanitárias para tentar derrubar o veto que ameaça as exportações nacionais de carne a partir de 3 de setembro.
- Em resumo: sem novas garantias, o mercado europeu — terceiro maior destino da carne bovina brasileira — será fechado em menos de quatro meses.
UE exige rastreabilidade total contra antimicrobianos
Durante reunião em Bruxelas, o bloco avisou que só retomará a habilitação se o Brasil provar que toda a cadeia produtiva dispensa antimicrobianos proibidos, como virginiamicina e avoparcina. A cobrança segue o regulamento sanitário europeu aprovado em 2019, segundo a agência Reuters, que reforçou o endurecimento global contra o uso de antibióticos como promotores de crescimento animal.
“Assim que a conformidade for demonstrada, a UE poderá autorizar ou retomar as exportações”, informou a porta-voz Eva Hrncirova.
Risco bilionário e histórico de dependência
A União Europeia responde por quase um quinto da receita brasileira com proteína animal, atrás apenas de China e Estados Unidos, de acordo com o sistema Agrostat. Em 2024, o país enviou ao bloco mais de US$ 4 bilhões em carne bovina, frango, mel e derivados. A interrupção pode pressionar preços internos e redirecionar excedentes para mercados com margem menor, corroendo o caixa dos frigoríficos listados na B3.
Especialistas lembram que o setor já previa a restrição desde 2019, mas a adaptação envolve testes em massa, auditorias independentes e rastreabilidade lote a lote — processos caros para pequenos produtores. Mesmo assim, o Ministério sinaliza que preferirá restringir de forma definitiva as substâncias banidas, caminho regulatório considerado mais rápido que comprovar ausência de resíduos em cada remessa.
Como isso afeta o seu bolso? Uma queda abrupta nas exportações tende a pressionar o câmbio do agronegócio e impactar ações de frigoríficos, além de eventualmente baratear a carne no mercado interno. Você acompanha novas medidas e efeitos em cadeia acessando nossa editoria de Economia e Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / Ministério da Agricultura