Operação expõe como ativos digitais viraram “caixa-rápido” do crime organizado
Polícia Federal — A força-tarefa Narco Fluxo, deflagrada recentemente, rastreou R$ 1,6 bilhão que circulou por exchanges e fintechs ligadas a integrantes do PCC e do CV, escancarando o novo mapa da lavagem de dinheiro no Brasil.
- Em resumo: Criptos substituem malas de dinheiro vivo e aceleram a fuga de recursos ilícitos para fora do país.
Liquidação 24/7 e anonimato parcial turbinam a engrenagem
A liquidez quase instantânea, combinada ao fracionamento de valores, cria um labirinto que desafia rastreamento. Dados do Banco Central indicam que o volume mensal negociado em exchanges locais ultrapassa R$ 35 bilhões, cenário que atrai tanto investidores legítimos quanto organizações criminosas.
“O desafio do regulador está em mitigar riscos sem eliminar benefícios econômicos relevantes”, observa Carlos Henrique, especialista ouvido na investigação.
Novas regras do BC miram exchanges, mas lacunas persistem
Desde fevereiro, prestadores de serviços de ativos virtuais precisam de autorização formal, capital mínimo entre R$ 10,8 milhões e R$ 37,2 milhões, KYC reforçado e reporte obrigatório ao Coaf. Transações internacionais acima de US$ 100 mil ficaram restritas a instituições reguladas, aproximando o setor das exigências cambiais tradicionais.
Analistas lembram que, em 2023, o Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi) colocou o Brasil em observação justamente pela falta de monitoração em cripto. A adequação às recomendações internacionais tende a elevar custos operacionais das plataformas, mas também pode aumentar a confiança do investidor doméstico.
Como isso afeta o seu bolso? Taxas em exchanges podem subir e saques internacionais exigirão mais comprovações. Para acompanhar outras mudanças que mexem com seu dinheiro, acesse nossa editoria de Economia e Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Federal