Aperto nas contas externas pressiona rúpia e atinge tradição milenar
Governo da Índia — Em nota de 10 de maio, o primeiro-ministro Narendra Modi pediu que famílias parem de comprar ouro por 12 meses, enquanto Nova Délhi elevou a tarifa de importação do metal de 6% para 15%, medida que já vigora desde 13 de maio.
- Em resumo: jejum de ouro e tarifa mais alta buscam frear saídas de US$ 72 bilhões em divisas no último ano fiscal.
Por que Nova Délhi mira o metal precioso
O apelo patriótico de Modi vem após a escalada nos preços do petróleo, inflada pela tensão no estreito de Ormuz, que tornou a conta de energia 70% mais cara. Segundo dados citados pela Reuters, o ouro já representa 9% de todas as importações indianas, atrás apenas dos combustíveis.
“Durante um ano, não compraremos joias de ouro, mesmo se houver eventos em casa”, declarou Narendra Modi, classificando o gesto como “dever diário” com a nação.
Impacto cambial e risco de inflação
Mais de 90% do ouro consumido no país é importado e liquidado em dólares. Isso amplia a demanda por moeda estrangeira, pressiona a rúpia — já 5% mais fraca no ano — e abre espaço para repasse de preços à inflação doméstica.
Historicamente, a Índia divide com a China a liderança do consumo global do metal, somando de 600 a 700 toneladas por ano. Apesar da alta tributação em 2013 ter impulsionado o contrabando, analistas apontam que o choque atual é o mais severo já adotado contra o mercado joalheiro local.
No cenário internacional, o ouro superou US$ 5 mil a onça em janeiro, recorde impulsionado por temores geopolíticos, lembrou a Bloomberg. Caso o maior comprador popular do mundo se afaste das vitrines, economistas divergem: parte vê espaço para recuo de preços; outros, impacto marginal, já que fundos globais seguem liderando a demanda.
Como isso afeta o seu bolso? Quedas na cotação internacional podem baratear ETFs lastreados em ouro e ajustar prêmios de câmbio na região. Para mais detalhes sobre movimentos de mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images via BBC