Fuga para refúgios privados acende sinal amarelo sobre a saúde do capitalismo digital
City University of New York (CUNY) – Em entrevistas recentes, o pesquisador Douglas Rushkoff relata que executivos de big techs estão investindo milhões em bunkers e projetos “pós-apocalipse”, numa evidência de que até o topo da pirâmide já questiona a sustentabilidade financeira do atual ciclo de crescimento.
- Em resumo: A busca por abrigos de luxo indica que quem lucra com a era digital teme um ponto de ruptura sistêmica.
Corrida por refúgios privados deixa mercado em alerta
Rushkoff descreve CEOs que contratam modelagens preditivas para saber “quanto pagar aos seguranças após o colapso”. O cenário reforça, segundo dados da Bloomberg, o movimento de dolarização de fortunas e migração para ativos tangíveis, como terras e metais preciosos.
“Alguns bilionários já não planejam salvar o sistema; planejam salvar a si mesmos”, resume o professor norte-americano.
Do crescimento infinito ao risco sistêmico
O pesquisador lembra que a lógica de “crescer a qualquer custo” se consolidou na bolsa desde a década de 1990, quando a internet ainda era vista como território antissistêmico. Quase 30 anos depois, a mesma rede abriga as megacorporações que capturam dados, receita recorrente e—segundo analistas do Banco Central do Brasil—quase 30% do fluxo global de pagamentos digitais.
Historicamente, ciclos de inovação prolongados terminam em correção de valuation. O dot-com crash de 2000 apagou US$ 5 trilhões em capitalização. A diferença, agora, é o peso macroeconômico dessas empresas: cinco maiores big techs respondem por mais de 20% do S&P 500, tornando qualquer ajuste potencialmente sistêmico.
Como isso afeta o seu bolso? Se os principais players admitem que o modelo está “no limite”, o investidor deve observar exposição setorial e liquidez de curto prazo. Para mais análises sobre risco de mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Época NEGÓCIOS