Fluxo estrangeiro esfria e a agenda do Copom promete nova turbulência
Ibovespa – Depois de se aproximar dos 200 mil pontos, o principal índice da B3 devolveu 2,8% em reais na última semana, impactado pela retirada líquida de cerca de R$ 3 bilhões de investidores estrangeiros e pela aversão global ao risco.
- Em resumo: estrangeiros saem, dólar encosta em R$ 4,99 e a Hapvida (HAPV3) sobe 15,2% na contramão.
Corte na Selic de 0,25 p.p. já está no preço?
A decisão do Copom, marcada para a próxima quarta-feira, ganha peso extra porque ocorre em meio à aceleração do petróleo acima de US$ 100 e à abertura da curva de juros longa. Segundo dados do Banco Central, o mercado já embute Selic de 14,50% ao ano, mas a incerteza sobre o ciclo faz o vértice janeiro/36 rodar a 13,56%.
A combinação de resultados fortes das empresas dos EUA e o cessar-fogo parcial no Oriente Médio “reduziu a urgência do investidor internacional em buscar mercados emergentes como o Brasil”, apontou relatório da XP.
Hapvida brilha em meio à queda generalizada
Na contramão do pessimismo, a operadora de saúde Hapvida engatou alta semanal de 15,2%. O gatilho foi a recompra de ações pelos controladores, interpretada como voto de confiança na recuperação operacional. O papel acumula +39,5% em abril, descolado dos setores mais sensíveis a juros, como Educação (-9,3%) e Bancos (-5,4%).
Para o investidor pessoa física, o recuo do Ibovespa aliado ao avanço do dólar abaixo de R$ 5 reforça o debate sobre diversificação e timing de compra. Historicamente, saídas de capital estrangeiro provocam volatilidade adicional de 3 a 5 pregões antes de estabilizar, conforme série da B3 iniciada em 2016.
Como isso afeta o seu bolso? Uma Selic menor pode aliviar créditos futuros, mas a tensão externa tende a manter o câmbio volátil. Para aprofundar este cenário, acesse nossa editoria de Economia e Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / B3