Selic alta atrai capital, mas ruído fiscal pode reverter o fluxo
Banco Central do Brasil – Na reta final de abril, o dólar acumula queda de 3,41% e opera no menor patamar desde março de 2024, sustentado pelo carry trade facilitado pelos juros domésticos, mas com o alerta de que choques geopolíticos e risco fiscal podem reaquecer a cotação a qualquer momento.
- Em resumo: Especialistas enxergam dólar temporariamente abaixo de R$5, porém com projeção de R$5,27 até dezembro, segundo Focus.
Tensão externa segura fluxo para emergentes, mas por quanto tempo?
As incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã e o perfil beligerante do presidente Donald Trump ampliaram a busca de investidores por mercados emergentes, favorecendo o real. Dados da Reuters mostram que a B3 recebeu R$ 62,4 bilhões em capital estrangeiro em 2026, reflexo direto dessa rotação de portfólio.
“Há espaço para a moeda seguir abaixo de R$ 5 no curto prazo, mas a consistência desse nível é frágil”, alerta Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Selic elevada sustenta carry trade, mas eleição traz risco fiscal
Mesmo em ciclo de afrouxamento, a taxa Selic segue entre as mais altas do mundo, preservando uma atrativa taxa real. Essa diferença incentiva operações de carry trade, nas quais investidores tomam recursos em dólares a juros baixos e aplicam em títulos locais mais rentáveis. Historicamente, períodos de Selic acima de 8% costumam reforçar a entrada de capital estrangeiro, mas o efeito tende a diminuir quando o tema fiscal volta ao centro do debate — algo esperado com a aproximação das eleições de 2026.
Como isso afeta o seu bolso? Uma virada de cenário pode levar o dólar de volta ao nível projetado de R$5,27, encarecendo viagens, produtos importados e até combustíveis. Para seguir acompanhando a movimentação cambial e suas repercussões no mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central