Autonomia aos executivos e enxugamento de custos pressionam o setor de bebidas
Diageo – a gigante britânica de destilados – anunciou recentemente um plano de reorganização que prevê cortes nas equipes regionais e maior poder de decisão para os diretores-gerais locais, medida que promete mexer no fluxo de caixa da companhia ainda neste ano.
- Em resumo: funcionários sob risco serão avisados até maio e a nova estrutura entra em vigor no segundo semestre.
Nova estratégia: menos camadas, mais decisão no ponto de venda
A companhia quer que cada mercado responda mais rápido às oscilações de preço e demanda, modelo parecido com o adotado em grandes multinacionais listadas. Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a mudança mira ganho de eficiência num momento em que margens apertam e o consumo de bebidas premium desacelera.
“Não há um número pré-definido de demissões; o foco é eficiência e transformação organizacional”, disse o CEO, Dave Lewis, em reunião interna.
Queda das ações, dividendo menor e pressão de investidores
Em fevereiro, Lewis já havia cortado pela metade o dividendo intermediário e revisto para baixo a projeção de vendas, após as ações tombarem quase 30% nos 12 meses anteriores. O movimento reflete desafios macroeconômicos, como juros altos em mercados chave e consumidores mais atentos ao preço, contexto que afetou todo o segmento de bebidas premium desde 2023.
Historicamente, cortes de pessoal podem reduzir despesas operacionais entre 8% e 12% no primeiro ano, segundo estudos setoriais. Caso a Diageo consiga capturar parte desse percentual, o impacto direto pode ser visto no lucro por ação já no fechamento do exercício fiscal de 2025.
Como isso afeta o seu bolso? A companhia é grande pagadora de dividendos e integra carteiras de fundos de renda global; mudanças de guidance podem mexer no rendimento desses veículos. Para mais análises sobre mercado e empresas, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Diageo