Geopolítica eleva o risco de surpresa na decisão do Copom e do Fed
Banco Central do Brasil – em meio à escalada do petróleo e incertezas no Estreito de Ormuz, a Super Quarta desta semana coloca Copom e Federal Reserve sob pressão, com impactos diretos no crédito, no câmbio e na renda fixa local.
- Em resumo: mercado ainda precifica corte de 0,25 p.p. na Selic, mas o Brent acima de US$100 diminui o espaço para afrouxar juros.
Petróleo caro desafia política monetária
O fluxo de navios no Estreito de Ormuz permanece limitado, mantendo o barril do Brent acima da marca dos US$100, segundo dados da Reuters. A alta de combustíveis pressiona transportes e fertilizantes, elevando as projeções de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.
“O ciclo de cortes continua vivo, mas provavelmente em ritmo mais gradual e menos profundo do que se imaginava meses atrás”, aponta comunicado interno do Copom citado por analistas.
Selic em perspectiva histórica e o que pode vir a seguir
Se confirmado o recuo para 9,75% ao ano, a Selic alcançará o menor nível desde 2022, mas ainda superior aos 2% registrados na pandemia. Nos últimos três ciclos de alívio — 2009, 2016 e 2020 — o Banco Central só acelerou cortes quando inflação e expectativas estavam ancoradas, condição hoje ameaçada pela commodity energética.
Nos Estados Unidos, o Fed deve manter a faixa de 3,50% a 3,75%, prolongando o juro real positivo mais longo desde 2007. Esse diferencial tende a sustentar o dólar forte e limitar novas quedas da Selic, sob risco de pressionar o câmbio e reimportar inflação.
Como isso afeta o seu bolso? Financiamentos podem ficar mais caros ou ter quedas menores que o esperado, enquanto títulos do Tesouro Selic ganham atratividade relativa. Para acompanhar outras análises de economia e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central do Brasil