Oferta 100% secundária pressiona mercado a reavaliar papéis do setor de energia
Compass Gás e Energia confirmou, na madrugada da última terça-feira (28), que pretende captar até R$ 2,5 bilhões com a distribuição de 89,3 milhões de ações, em faixa indicativa de R$ 28 a R$ 35.
- Em resumo: a fixação do preço ocorrerá em 7 de maio, após o bookbuilding.
Por que a B3 observa o movimento de perto
O IPO da holding de gás natural acontece num momento em que a janela de emissões começa a reabrir na bolsa brasileira depois de quase dois anos de seca. A oferta será totalmente secundária, ou seja, os recursos irão para os atuais acionistas vendedores — Cosan, veículos da Atmos, Bradesco, Brasil Capital e Bússola.
“A operação integra um projeto de simplificação e reestruturação societária que permitirá ao acionista da Cosan Dez deter participação direta no capital da Compass”, destaca fato relevante da companhia.
Cisão da Cosan e efeito cascata para investidores
Paralelamente, foi aprovada a cisão parcial da Cosan Dez Participações, transferindo 142,8 milhões de ações — equivalentes a 20% do capital da Compass — para a própria companhia de gás. Movimentos desse porte costumam ajustar o valor justo das controladas, já que reduzem camadas societárias e aumentam a transparência.
Historicamente, ofertas secundárias de grande volume tendem a colocar pressão vendedora de curto prazo nos papéis listados, mas também ampliam a liquidez futura. Em 2023, por exemplo, as emissões secundárias somaram cerca de R$ 7 bilhões segundo dados da B3, mostrando que a transação da Compass representa parcela relevante do pipeline de 2024.
Como isso afeta o seu bolso? A precificação determinará se a ação chegará ao pregão com upside ou desconto. Para acompanhar outras movimentações que mexem com o mercado, acesse nossa editoria de Economia e Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / Compass Gás e Energia