Lobby coordenado das big techs freia tentativa de limitar autopreferência digital
Câmara de Comércio da Califórnia – Em 20 de abril, o projeto estadual conhecido como “Based Act” foi rejeitado após forte ofensiva de Apple, Google e Amazon, num movimento que afasta o risco de regulamentação que poderia custar bilhões ao setor e reverberar em todo o mercado norte-americano.
- Em resumo: derrota legislativa mantém intacta a prática de autopreferência nas plataformas e evita potenciais sanções multibilionárias.
Derrota do “Based Act” sinaliza força de mercado das gigantes
A mobilização incluiu anúncios que alertavam para entregas “mais lentas” e buscas “menos úteis”, além de centenas de ligações de eleitores organizadas pela entidade setorial Chamber of Progress. De acordo com reportagem da Reuters, o gasto anual das principais empresas de tecnologia com lobby nos EUA já ultrapassa US$ 100 milhões.
“Idealmente, queremos evitar que regras europeias cruzem nossas fronteiras”, disse Joseph Coniglio, pesquisador antitruste do think tank Information Technology and Innovation Foundation.
Por que investidores devem acompanhar a discussão antitruste
Nos últimos dois anos, a Comissão Europeia aplicou mais de US$ 7 bilhões em multas a grandes plataformas por práticas parecidas às que o “Based Act” tentava coibir. Caso normas semelhantes ganhem terreno nos EUA, analistas estimam impacto de até 15% na margem operacional dessas empresas, segundo levantamentos públicos de casas como Jefferies e UBS.
Historicamente, mudanças antitruste tendem a catalisar movimentos de rotação setorial em bolsa: enquanto Big Tech pode enfrentar pressão de receita, companhias de médio porte costumam atrair capital oportunista em busca de participação de mercado. Vale lembrar que propostas federais alinhadas ao “Based Act” seguem engavetadas em Washington, mas podem ressurgir em anos eleitorais, replicando o efeito observado recentemente na União Europeia com o Digital Markets Act.
Como isso afeta o seu bolso? A manutenção do status quo preserva a lucratividade das big techs listadas na Nasdaq — e, por tabela, sustenta parte dos fundos de índice e carteiras de BDR negociadas no Brasil. Para mais detalhes sobre o impacto da regulação no valor das ações, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Jason Alden/Bloomberg