Modelo agroflorestal cria colchão verde contra custos e volatilidade
Produtores de Tomé-Açu (PA) aderiram, nas últimas safras, ao chamado Sistema Agroflorestal (SAF Dendê), elevando a produtividade em até 38% por planta enquanto recuperam o solo e garantem preços até 20% acima do mercado convencional.
- Em resumo: mais óleo por hectare, menor gasto com insumos e venda com ágio atraem capital e indústria de cosméticos.
Produtividade extra se converte em prêmio de mercado
A alta oferta de cachos – saltando de 130 kg no monocultivo para 180 kg no SAF – diminui o custo unitário do óleo e permite negociar lotes sustentáveis com margens superiores. De acordo com dados compilados pela Reuters sobre preços globais de óleo de palma, lotes certificados chegam a valer até 15% mais na bolsa da Malásia, referência para o mercado.
“No monocultivo, cada planta produz em média 130 kg de cachos por ano; no SAF, esse número chega a 180 kg.”
ESG, diversificação e efeito no bolso do investidor
O arranjo intercala dendê com açaí, cacau e andiroba, reproduzindo a lógica da floresta e reduzindo a dependência de adubos químicos. Isso entrega dois ganhos financeiros: menor desembolso com fertilizantes – que encareceram quase 50% desde 2021 – e múltiplas fontes de receita, blindando o produtor contra choques de preço em uma única commodity.
Pará responde por cerca de 90% da produção nacional de dendê, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o SAF, a região fortalece sua posição justamente no momento em que fundos focados em sustentabilidade ampliam o filtro ESG nos portfólios agrícolas.
Como isso afeta o seu bolso? A certificação verde tende a se refletir em cotações mais altas na cadeia de óleos vegetais, influenciando desde ações de processadoras até preços de itens de consumo. Para acompanhar outras oportunidades e riscos do agronegócio, acesse nossa editoria de Economia e Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / Globo Rural