Margens apertam, mas avanço no País vira escudo contra câmbio e custos
Coca-Cola Femsa — A gigante de bebidas iniciou 2026 com lucro de 4,34 bilhões de pesos mexicanos, recuo de 15,5% ante um ano antes, ao passo que a receita subiu 1,1%, para 70,9 bilhões de pesos, puxada sobretudo pelo mercado brasileiro.
- Em resumo: Brasil elevou faturamento em 5% e volumes em 3,6%, abrandando o efeito do câmbio forte e do aumento de despesas no México.
México perde força; Brasil e vizinhos sustentam EBIT
Analistas do BTG Pactual classificaram o trimestre como “desafiador” para o México, onde o EBITDA encolheu 7% diante de despesas mais altas. Já na América do Sul, o EBIT saltou 19% graças a ganhos operacionais e expansão de margem de 180 pontos-base, segundo relatório obtido pela Reuters.
“Nossos resultados evidenciam a resiliência de um portfólio diversificado de geografias”, destacou o CEO Ian Craig.
Câmbio forte encobre crescimento real; o que esperar para 2026
Embora os volumes globais tenham crescido 1,2% (998,4 milhões de unidades) e a receita comparável, excluindo variação cambial, avance 6%, a valorização do peso mexicano diluiu o ganho operacional. Historicamente, a moeda mexicana tende a se apreciar quando o Banco Central local mantém juros acima da inflação, o que pressiona resultados de multinacionais com receitas em outras divisas.
Para o consumidor brasileiro, a leitura é dupla: de um lado, a companhia deverá preservar preços competitivos para defender participação; de outro, pressões de custos podem aparecer se o real perder força. Segundo o IBGE, bebidas não alcoólicas acumulam alta de 4,2% no IPCA de 12 meses, sinal de que ainda há espaço para repasses moderados.
Como isso afeta o seu bolso? O avanço das margens no Brasil pode limitar reajustes imediatos, mas queda adicional do peso mexicano ou novas despesas de marketing podem mudar o jogo. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Coca-Cola Femsa