Decisões simultâneas definem o rumo do dólar e dos rendimentos globais
Federal Reserve (Fed) – Na superquarta, o banco central dos EUA tende a manter a taxa na faixa de 3,50%-3,75%, cenário já precificado que mantém o diferencial de juros brasileiro entre os maiores do mundo.
- Em resumo: mercado vê 100% de chance de estabilidade nos EUA e 86,3% de corte de 0,25 p.p. na Selic para 14,50%.
Pressão inflacionária prolonga juros altos nos EUA
Gasolina 38% mais cara e barril de Brent acima de US$ 110 reforçam a tese de “juros altos por mais tempo”, segundo levantamento do CME FedWatch, enquanto analistas acompanham a troca de comando de Jerome Powell para Kevin Warsh. A leitura é que, mesmo sob pressões políticas, o novo chairman manterá a cautela, consolidando a projeção de juros estáveis até 2027, de acordo com dados compilados pela Reuters.
“Zero chance de corte nesta reunião”, apontam as apostas fechadas na plataforma CME FedWatch, cravando manutenção dos Fed Funds em 3,50%-3,75%.
Selic em queda lenta mantém real no radar do carry trade
No Brasil, a ferramenta Opções de Copom precifica corte simbólico, levando a Selic a 14,50% ao ano. Ainda assim, o spread de 10,75 pontos percentuais frente aos EUA segue estimulando entradas de capital de curto prazo. Para efeito de comparação, há 12 meses o diferencial era de 9,25 p.p., o que explica a resiliência do real mesmo em meio à guerra no Oriente Médio.
O Boletim Focus já projeta IPCA de 4,86% em 2026, acima do teto da meta, sinalizando trajetória de cortes mais suaves. Historicamente, cada 1 ponto de redução na Selic demora de duas a três reuniões para ser repassado integralmente a linhas de crédito, prolongando o custo financeiro para famílias e empresas.
Como isso afeta o seu bolso? Taxa básica ainda alta significa retorno atraente em renda fixa, porém crédito mais caro e dólar menos volátil. Para acompanhar ajustes nas próximas decisões, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Federal Reserve