Queda interrompe sequência de quatro altas e liga o alerta para custos de produção
Fundação Getulio Vargas (FGV) — O Índice de Confiança da Indústria (ICI) voltou a perder força em abril, sinalizando que a tensão geopolítica no Oriente Médio já encarece insumos e coloca em risco o fluxo de caixa das fábricas brasileiras.
- Em resumo: ICI cedeu 0,8 ponto e fechou em 96,0, puxado por expectativas mais fracas.
Petróleo caro e Selic alta travam o humor dos empresários
A interrupção do trânsito de navios no Estreito de Ormuz elevou o barril do Brent e reacendeu temores de repasse de custos, segundo levantamento da agência Reuters. Em paralelo, o Banco Central iniciou nesta terça-feira (30) mais uma reunião do Copom, com aposta majoritária de corte de apenas 0,25 p.p. na Selic, atualmente em 14,75% – ritmo considerado modesto para destravar crédito corporativo.
“O sentimento dos empresários quanto ao futuro dos negócios retrata o aumento da incerteza com a guerra no Oriente Médio”, explicou Stéfano Pacini, economista do FGV/Ibre.
O que esperar para o segundo trimestre
Analistas lembram que, historicamente, pontuações abaixo de 100 indicam pessimismo. Desde 2020, o ICI só superou a marca neutra em janelas pontuais, o que reforça a fragilidade da retomada industrial. Caso o petróleo permaneça acima de US$ 90 e os juros sigam altos, a cadeia deve enxugar estoques para preservar margens, podendo afetar emprego e renda.
Como isso afeta o seu bolso? Matérias-primas mais caras tendem a chegar ao consumidor final em forma de preços maiores de eletrodomésticos, autos e até alimentos processados. Para mais leituras sobre atividade econômica e decisões do Copom, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / CNI