Queda asiática escancara o peso do petróleo nos custos globais
Banco do Japão (BoJ) – A autoridade monetária manteve a taxa básica em 0,75% nesta terça-feira, decisão que, somada às incertezas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, derrubou grande parte dos principais índices da Ásia e ampliou o alerta sobre combustíveis e inflação.
- Em resumo: Nikkei perdeu 1,02% enquanto o Brent avança 2,5%, superando US$ 104 por barril.
Mercados reprecificam risco geopolítico e política monetária
O Nikkei encerrou a sessão a 59.917,46 pontos, acompanhando dados da Reuters que apontam revisão negativa das projeções de crescimento do BoJ devido ao impacto dos combustíveis. Hang Seng (-0,95%), Taiex (-0,24%) e os compostos de Xangai (-0,19%) e Shenzhen (-1,07%) seguiram a mesma direção.
“O BoJ revisou para pior suas projeções de inflação e crescimento, refletindo a pressão dos preços de energia”, diz a ata da reunião (placar de 6 a 3).
Tensão no Estreito de Ormuz reforça rally do petróleo
Do outro lado, o Brent renovou máximas depois que Teerã condicionou a reabertura do Estreito de Ormuz — rota de 20% do petróleo mundial — ao fim do bloqueio a portos iranianos. A proposta, discutida pela Casa Branca, fez o petróleo acumular dois pregões de alta, movimento que tende a encarecer o transporte e, por consequência, elevar o custo final de bens de consumo em toda a região.
Historicamente, cada salto de 10% no barril impacta em torno de 0,4 ponto percentual na inflação japonesa dentro de um trimestre, segundo cálculos do think tank Nomura Research. Com o BoJ ainda longe de voltar aos estímulos agressivos que marcaram a última década, a capacidade de resposta monetária fica mais limitada.
Como isso afeta o seu bolso? Se a escalada do petróleo persistir, produtos importados e passagens aéreas tendem a subir já nas próximas semanas. Para mais detalhes sobre este tema, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco do Japão