Mamona pode virar nova fonte de biodiesel e mexer com preços do óleo vegetal
Casterra – A companhia israelense anunciou que pretende desembolsar de US$ 5 milhões a US$ 10 milhões para estimular produtores brasileiros a cultivar mamona, mirando 200 mil hectares até 2030 e, num cenário mais ambicioso, 1 milhão de hectares em dez anos.
- Em resumo: se o plano vingar, a oleaginosa entra na entressafra (“safrinha”) e cria nova rota de receita para agricultores e usinas de biodiesel.
Por que a mamona interessa ao mercado de energia limpa?
Rica em óleo com alto teor de ricinoleico, a mamona é apontada como matéria-prima de rendimento superior para biodiesel. Segundo dados da Reuters, o Brasil já figura entre os maiores produtores de combustíveis renováveis, mas depende fortemente da soja e da cana-de-açúcar. Diversificar reduz a pressão sobre as commodities tradicionais e pode suavizar a volatilidade de preços.
“Gostaríamos de encontrar grandes fazendeiros que comecem a cultivar mamona em escala comercial”, destacou Ofer Haviv, CEO da Casterra, ao explicar a estratégia de financiamento de sementes, suporte técnico e compra garantida dos grãos.
Potencial de renda extra na safrinha e efeito no agronegócio
A Conab estima apenas 76,2 mil hectares de mamona na safra 2025/26, número que pode quase triplicar com a entrada da Casterra. Para o produtor, a cultura encaixa entre a colheita da soja e o plantio do milho, aproveitando áreas ociosas e diluindo custos fixos da fazenda.
De olho na escala, a empresa já testa colheitadeiras adaptadas em parceria com uma indústria italiana, buscando reduzir perdas de grãos – ponto crítico para a viabilidade econômica. Em paralelo, o programa federal RenovaBio remunera empresas que comprovam menor pegada de carbono, criando demanda adicional pelo óleo de mamona no curto prazo.
Como isso afeta o seu bolso? Mais oferta de matéria-prima tende a segurar o preço do biodiesel e, indiretamente, pode refletir no valor final do diesel B vendido nos postos. Para acompanhar outras movimentações do agronegócio energético, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Domínio Público