Regra mira excesso de depósitos garantidos e pressiona liquidez dos bancos
Conselho Monetário Nacional (CMN) — Em decisão divulgada na última quinta-feira (23), o colegiado apertou o cerco às instituições que recorrem em massa à garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), medida que deve mexer imediatamente no custo de captação e no apetite por depósitos de renda fixa.
- Em resumo: se o volume coberto pelo FGC ultrapassar o novo Ativo de Referência, parte do dinheiro terá de migrar para títulos públicos.
FGC deixa de ser “cheque em branco” para crescimento agressivo
O Banco Central introduziu o indicador Ativo de Referência (AR), parâmetro que mensura qualidade e diversificação de carteiras. Sempre que a soma dos CDBs e afins garantidos ultrapassar o AR, o banco terá de amarrar recursos em títulos do Tesouro — um freio que busca evitar repetições do caso Banco Master, cujas perdas forçaram o FGC a desembolsar mais de R$ 40 bilhões, segundo dados da Reuters.
“As medidas complementam o arcabouço já existente e visam mitigar o risco moral associado a captações excessivamente ancoradas na garantia do FGC e entrarão em vigor a partir de 1º de junho deste ano”, destacou o BC.
Liquidez de curto prazo ganha novo piso regulatório
Além da trava no FGC, o CMN estendeu o buffer de liquidez de 30 dias ao Segmento 2 (S2), que reúne bancos de médio porte, e criou uma versão simplificada para os segmentos S3 e S4. Atualmente, segundo o Banco Central, apenas as instituições S1 — que concentram mais de 80% dos ativos do sistema — já eram obrigadas a manter esse colchão.
Historicamente, choques de liquidez costumam antecipar crises bancárias; por isso, o reforço vem na esteira de padrões internacionais como o Liquidity Coverage Ratio adotado pelo Comitê de Basileia.
Como isso afeta o seu bolso? A mudança pode reduzir a oferta de CDBs com taxas “turbinadas” e encarecer linhas de crédito, já que parte do caixa ficará parada em títulos do governo. Para acompanhar outros ajustes regulatórios que mexem no mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central