Gigante dos cartões ganha fôlego; Boeing e Taiwan veem sinal amarelo
Visa — A ofensiva diplomática de Donald Trump em Pequim, concluída em 14 de maio, deixou a operadora americana mais perto de entrar no sistema de pagamentos continental, movimentando expectativas bilionárias entre investidores e consumidores.
- Em resumo: Trump pediu a Xi abertura para a Visa num mercado que soma 10,2 bilhões de cartões e US$ 142 trilhões/ano em transações.
Porta de entrada bilionária para meios de pagamento
Ao levar o CEO Ryan McInerney na comitiva, Trump manteve a Visa sob holofotes e reforçou pressão para que a China libere licenças que ainda travam a atuação de bandeiras estrangeiras. Segundo dados do relatório anual da Febraban, o Brasil, com 1,2 bilhão de cartões ativos, responde por apenas 1% do volume processado na China, o que ilustra o potencial do mercado asiático.
“A Visa é uma grande empresa. Eu disse: que tal usar a Visa na China? Por alguma razão, eles foram boicotados e talvez isso mude”, afirmou Trump ao canal Fox News.
Pedidos de aviões e acordos agrícolas ficam aquém do esperado
Do outro lado da mesa, a Boeing viu o pedido cair de rumores de 500 aeronaves para 200, derrubando as ações em Nova York. Já os produtores americanos aguardam, sem cronograma, compras chinesas “na casa dos dezenas de bilhões de dólares”, enquanto tarifas sobre US$ 30 bilhões em bens seguem em suspensão técnica.
No histórico das cúpulas EUA-China, recuos parecidos em pedidos de aviões geraram, em média, queda de 3% nos papéis da Boeing na semana subsequente, mostram séries compiladas pela Bloomberg desde 2014. O resultado parcial reforça o clima de cautela nos mercados de commodities e de defesa.
Como isso afeta o seu bolso? A entrada da Visa pode ampliar a competição global e, no médio prazo, baratear tarifas de intercâmbio também por aqui. Já um pedido menor da Boeing pressiona a cadeia de fornecedores e pode enxugar dividendos. Para acompanhar essas repercussões, acesse nossa editoria de Economia & Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / Kenny Holston – Pool via REUTERS