Margem encurta e ação recua enquanto reestruturação segue custosa
Natura (NATU3) — A fabricante de cosméticos registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões no 1T26, uma explosão de 787,6% na comparação anual que derrubou as ações em plena manhã de divulgação, às 11h30 (Brasília).
- Em resumo: margem Ebitda encolhe 8,6 p.p. e caixa queima R$ 315 mi no trimestre.
Receita decepciona e mercado pune o papel
Com a receita líquida recuando 7,7%, para R$ 4,75 bi, o número frustrou parte do mercado que projetava R$ 4,3 bi. Na sessão seguinte ao balanço, NATU3 caía 2,57%, ecoando o alerta de analistas ouvidos pela Reuters sobre a dificuldade de a companhia capturar ganhos da reorganização.
“Foi um trimestre desafiador em receita e rentabilidade”, admitiu o CEO João Paulo Ferreira, citando a lentidão na retomada da marca Natura e a pressão na Avon.
Por que o turnaround ainda não apareceu nos números?
O pacote de cortes — 25% do quadro — gerou R$ 221 mi em despesas extraordinárias, mas o benefício real só deve emergir a partir do 2T26, segundo a CFO Silvia Vilas Boas. Historicamente, viradas desse porte levam de três a quatro trimestres para impactar margens, como mostrou o Índice de Competitividade do setor de varejo financeiro da Febraban.
No front externo, a hiperinflação argentina corroeu a margem Ebitda na América Latina para –1,5%, frente aos 7,5% positivos de um ano antes. Já no Brasil, endividamento recorde das famílias — 77,4% de renda comprometida segundo o Banco Central — apertou o consumo de beleza, especialmente no Nordeste.
Como isso afeta o seu bolso? Se a virada atrasar, a ação pode continuar volátil e pressionar carteiras expostas ao setor de consumo. Para acompanhar cada passo da reestruturação e outros indicadores-chave, acesse nossa editoria de Economia & Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / Natura