Exportações recordes e corte lento da Selic sustentam a nova estimativa cambial
BTG Pactual — Em relatório divulgado recentemente, o banco ajustou para baixo a projeção do dólar no fim de 2026, de R$ 5,20 para R$ 4,90, reforçando que o fluxo de dólares provenientes do petróleo coloca o Brasil numa posição atípica de força em meio às tensões no Oriente Médio.
- Em resumo: superávit comercial estimado em US$ 90 bi e produção de 4,2 mi de barris/dia sustentam o real.
Câmbio reage à onda de superávits comerciais
O Brasil é o único grande emergente cuja balança energética — petróleo e fertilizantes — exibe saldo positivo. Segundo dados do Banco Central, a entrada líquida de dólares reforça a valorização de 4,1% do real frente à moeda norte-americana desde o início do conflito.
“O petróleo acima de US$ 100 amplia a receita externa brasileira, aliviando a pressão cambial mesmo num ambiente global de juros elevados”, sintetiza o relatório do BTG.
Juros, inflação e crédito: onde o aperto continua
Embora o ciclo de cortes tenha começado após a Selic atingir 15% ao ano, o banco enxerga taxa terminal de 13%, com reduções de apenas 0,25 p.p. por reunião do Copom. Esse ritmo lento reflete a expectativa de IPCA em 4,9% em 2026, bem acima da meta de 3%.
Combustíveis defasados em 45%, possível reajuste da Petrobras e ameaça de El Niño formam um coquetel inflacionário adicional. Historicamente, cada alta de 1% no preço do diesel eleva os custos logísticos e chega às gôndolas em poucas semanas.
Como isso afeta o seu bolso? O alívio nos juros virá, mas contratos de cartão, cheque especial e financiamentos tendem a continuar caros por mais tempo. Para acompanhar outras análises sobre economia e mercado, visite nossa editoria.
Crédito da imagem: Divulgação / BTG Pactual