Entenda por que o novo teto de imposto italiano causa corrida de fortunas
Governo italiano – A recente consolidação de um teto de €300 mil para o Imposto de Renda sobre ganhos estrangeiros está transformando o país no destino favorito de executivos e herdeiros que buscam previsibilidade tributária em meio à tensão geopolítica e ao avanço de tributos na França e no Reino Unido.
- Em resumo: quem declara mais de €1 milhão em impostos anuais fora da Itália passa a economizar até 70% ao transferir residência fiscal para Roma ou Milão.
Por que a alíquota limitada seduz milionários
O modelo, inspirado no regime britânico “non-dom”, garante que o contribuinte pague no máximo €300 mil por ano, mesmo se sua renda global ultrapassar oito dígitos. Segundo análise da Reuters, o mecanismo já atraiu famílias do Oriente Médio que buscam refúgio diante da instabilidade no Golfo.
“Mesmo com €300 mil, a alíquota fixa na Itália ainda é baixa para quem ganha mais de €1 milhão por ano, em comparação com qualquer outro lugar da Europa”, avalia Peter Ferrigno, diretor da Henley & Partners.
Efeito dominó: riscos para a arrecadação europeia
Historicamente, regimes especiais de residência – como o de Portugal, encerrado em 2024 – elevaram preços imobiliários locais e reduziram a base tributária de países vizinhos. Analistas temem que a estratégia italiana reacenda a “guerra fiscal” no bloco, levando França e Espanha a revisar impostos sobre patrimônio e herança.
Além do teto anual, a Itália isenta a primeira compra de imóvel de taxas cartoriais, cobra apenas 4% de imposto sucessório acima de €1 milhão e não possui tributo equivalente ao “taxe foncière” francês. Para empresários que transferem sede de companhia, porém, ainda há incidência de “exit tax” no país de origem, tornando o planejamento mais complexo.
Como isso afeta o seu bolso? A competição por capitais pode pressionar governos a subir outros tributos ou cortar incentivos locais. Para acompanhar a movimentação dos regimes fiscais na Europa, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / BBC News