Mercado projeta repaginação de faixas de preço e nova guerra de rótulos
Mercosul e União Europeia – Vigente desde 1º de maio, o acordo de livre-comércio inicia a remoção gradual da tarifa de importação de 27% sobre vinhos europeus ao longo de até 12 anos, sinalizando impacto direto na competitividade do setor.
- Em resumo: Preço deve ceder de forma lenta; ganho imediato virá da maior variedade e pressão sobre concorrentes latino-americanos.
Tributos internos ainda pesam na garrafa
Mesmo sem a tarifa externa, a composição final inclui ICMS, IPI, PIS e Cofins, além do câmbio. Estimativas do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário apontam que esses fatores podem responder por até metade do valor pago pelo consumidor.
“A tarifa de importação é relevante, mas está longe de ser o único fator determinante”, afirma Fernando Moreira, sommelier da importadora Santo Vino.
Concorrência com Chile e Argentina deve esquentar
O Chile lidera as vendas ao Brasil, movimentando US$ 213 milhões em 2023. A queda gradual da tarifa europeia pressiona produtores do Cone Sul a reforçar diferenciais, enquanto a taxa de câmbio flutuante – que superou R$ 5,20 por dólar recentemente, segundo dados compilados pela Reuters – pode amenizar, ou amplificar, o repasse ao varejo.
Historicamente, movimentos semelhantes em outros acordos comerciais mostraram reduções entre 5% e 12% nos preços reais em cinco anos, mas apenas quando logística e impostos internos também foram otimizados. Importadores brasileiros já negociam volumes maiores e portfólios mais amplos, indicando possível migração de rótulos premium para categorias intermediárias, ampliando o consumo de europeus no dia a dia.
Como isso afeta o seu bolso? Se os custos internos permanecerem estáveis, analistas projetam alívio gradual na conta do supermercado, mas o verdadeiro ganho poderá vir da diversidade: mais regiões, uvas e faixas de preço acessíveis. Para acompanhar todos os desdobramentos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / União Europeia