Imagine que você tem R$ 20 mil guardados e aparecem duas ofertas: um CDB que paga 100% do CDI e uma LCI que paga 90% do CDI. O número do CDB é maior, então ele rende mais, certo? Nem sempre. A LCI de 90% pode colocar mais dinheiro no seu bolso do que o CDB de 100%, e a razão cabe em uma palavra: imposto.
LCI e CDB são primos próximos. Os dois são renda fixa, os dois têm a proteção do FGC, os dois costumam render um percentual do CDI. O que separa um do outro na hora de decidir é o Imposto de Renda: o CDB paga, a LCI não. Quando você compara o rendimento líquido, aquele que sobra depois do leão, a conta às vezes vira de lado.
A diferença que decide tudo: o imposto
No CDB, o Imposto de Renda morde o lucro numa tabela regressiva, de 22,5% a 15% conforme o tempo. Na LCI, não há esse desconto para a pessoa física: o que rendeu é seu, inteiro.
É por isso que comparar só os percentuais engana. Se você ainda tem dúvidas de como o CDB rende e é tributado, vale ler antes o guia de CDB e CDI — ele dá a base para a comparação que vem agora.
Qual rende mais na prática
Vamos pôr os dois lado a lado, com o CDI a 14,9% ao ano e um prazo acima de dois anos, quando o imposto do CDB cai para os 15%:
| Aplicação | Rende (bruto) | Imposto | No seu bolso |
|---|---|---|---|
| CDB 100% do CDI | 14,9% | 15% | ≈ 12,67% |
| LCI 90% do CDI | 13,41% | Isento | 13,41% |
| LCI 85% do CDI | 12,67% | Isento | 12,67% |
Olhe a segunda linha. A LCI de 90% do CDI, mesmo com um número menor, entrega mais que o CDB de 100%. E a de 85% empata na régua. Daí nasce uma continha que todo investidor de renda fixa decora.
A regra dos 85%
Para saber quanto uma LCI isenta precisa pagar para empatar com um CDB, multiplique o percentual do CDB pela fração que sobra depois do imposto. Com IR de 15%, um CDB de 100% do CDI equivale a uma LCI de 85% do CDI.
Guarde esse número: 85%. LCI acima disso costuma ganhar do CDB de 100%. Abaixo, o CDB volta a levar a melhor.
Então a LCI é sempre melhor? Não.
Se a história fosse só rendimento, a LCI venceria quase sempre. Só que existe um segundo fator, e ele costuma ser o que de fato decide: a liquidez.
O CDB tem versões com liquidez diária, que você resgata quando quiser. A LCI quase sempre trava o dinheiro por uma carência, que vai de alguns meses a alguns anos. Antes do prazo, não dá para sacar.
- Pode precisar do dinheiro a qualquer momento? CDB com liquidez diária.
- Consegue deixar parado até um vencimento? LCI, pela isenção.
Tudo lado a lado
| Característica | CDB | LCI |
|---|---|---|
| Imposto de Renda | Sim (22,5% a 15%) | Isento p/ pessoa física |
| Liquidez | De diária a no vencimento | Carência, depois no vencimento |
| Proteção do FGC | Até R$ 250 mil | Até R$ 250 mil |
| Lastro | Operações do banco | Crédito imobiliário |
| Cai melhor em | Reserva e curto prazo | Dinheiro parado com prazo |
Como escolher sem errar

Comece pelo prazo do dinheiro, não pelo rendimento. Se é a sua reserva de emergência, que precisa ficar à mão, o CDB de liquidez diária resolve. Se é um valor que você não vai tocar até a viagem de fim de ano ou a entrada do apartamento, a LCI tende a render mais no líquido.
Depois, aplique a regra dos 85%. Compare o percentual do CDI da LCI com o do CDB. Passou de 85%, a LCI ganha na maioria dos prazos. E nada impede ter os dois ao mesmo tempo: um para a liquidez, outro para o rendimento.
LCI e CDB também não estão sozinhos nessa prateleira. LIG, LCA e Tesouro Direto brigam pelo mesmo espaço, cada um com sua regra de imposto e prazo. Conhecer as opções de renda fixa ajuda a montar a parte conservadora da carteira com mais critério.
Um exemplo com prazo real

Digamos que você vá trocar de carro daqui a dois anos e separou R$ 30 mil para isso. O dinheiro tem data para sair, mas não antes disso. Nesse caso, uma LCI com vencimento perto de dois anos costuma ser a melhor casa: você abre mão de uma liquidez que não vai usar e recebe a isenção de imposto em troca.
Agora inverta. Se esses mesmos R$ 30 mil são a sua reserva de emergência, tudo muda. Emergência não marca hora, pode bater amanhã. Aí o CDB de liquidez diária vale mais do que qualquer ponto extra de rendimento, porque o que você compra é a chance de resgatar na hora exata em que precisar.
Uma observação importante sobre a LCI: ela tem um prazo mínimo de carência definido por regra, antes do qual o resgate não acontece de jeito nenhum. Esse prazo varia de papel para papel, então confira sempre, na hora de aplicar, até quando o dinheiro fica preso.
Repare que, nos dois cenários, a decisão nasceu do prazo do dinheiro, não do número da oferta. É assim que se escolhe bem: primeiro o prazo, depois o rendimento.
Dúvidas rápidas
LCI ou CDB: qual é mais seguro?
Empatam. Os dois têm a garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF e por instituição. Respeitando esse limite, o risco é baixíssimo nos dois casos.
LCI rende mais que a poupança?
Sem comparação. Qualquer LCI minimamente competitiva rende bem acima da poupança no mesmo período, e ainda por cima é isenta de imposto, como a poupança.
Qual o valor mínimo de uma LCI?
Costuma ser mais alto que o do CDB, em geral a partir de R$ 1.000 a R$ 5.000, dependendo do banco. CDBs, por outro lado, existem a partir de poucos reais.
Posso perder dinheiro numa LCI ou num CDB?
Só num cenário extremo: o banco quebrar e o valor passar do teto do FGC. Mantendo cada aplicação dentro dos R$ 250 mil por instituição, o risco prático é mínimo.
No fim, LCI ou CDB não é uma disputa de quem é melhor, e sim de qual encaixa no seu objetivo. Olhe o prazo, faça a conta dos 85% e deixe o imposto, ou a falta dele, apontar o caminho.
Conteúdo de caráter educativo, sem recomendação de investimento. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros; avalie seus objetivos antes de investir.
