Autorização inédita cria atalho para biocombustíveis dominarem a navegação global
Organização Marítima Internacional (IMO) – A entidade aprovou, na última semana, a pegada de carbono de 20,8 g de CO₂/MJ para o etanol de milho de segunda safra brasileiro, retirando o principal obstáculo regulatório para que o combustível entre no porão de navios mundo afora.
- Em resumo: o biocombustível nacional emite 78% menos CO₂ que o bunker tradicional, referência de 93,3 g de CO₂/MJ.
Redução de carbono vira trunfo contra concorrentes dos EUA
Com a chancela, o Brasil larga na frente na corrida prevista pelo novo marco de neutralidade da IMO, cuja adoção formal está marcada para dezembro de 2026 após negociações lideradas pelos Estados Unidos. Segundo dados compilados pela Reuters, o setor marítimo movimenta cerca de 300 milhões de toneladas de combustível ao ano, um mercado que pode migrar gradualmente para fontes limpas.
“É um desenvolvimento emblemático. A aprovação sinaliza às empresas de navegação quais combustíveis alternativos elas podem escolher”, afirmou Flavio Mathuiy, representante brasileiro na IMO.
Potencial de receita para usinas, tradings e logística
Desde 2017, as usinas brasileiras vêm ampliando a produção de etanol de milho, que já responde por quase 25% do etanol nacional. Em 2024, a segunda safra deve corresponder a 80% da colheita de milho, garantindo oferta para abastecer tanto veículos leves quanto, agora, navios de longo curso.
Historicamente, o transporte marítimo responde por 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, volume que colocaria o setor na sexta posição se fosse um país, segundo o Banco Mundial. A meta de zerar emissões até 2050 força armadores a buscarem alternativas mais baratas que o caro combustível sustentável de aviação (SAF) ou o ainda limitado amoníaco verde. O etanol brasileiro, produzido em modelo de dupla safra e com uso de biomassa na cogeração, surge como opção de curto prazo com menor custo marginal.
Como isso afeta o seu bolso? Navios mais limpos podem baratear fretes agrícolas e, posteriormente, impactar o preço final de alimentos e bens de consumo. Para mais detalhes sobre transições energéticas e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / IMO