Especialista liga uso passivo da tecnologia a perda de tempo produtivo e margens de lucro
São Paulo Innovation Week – Em fala recente no festival, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel chamou atenção para o “custo invisível” de entregar decisões a algoritmos sem valores, um movimento que, segundo ela, drena o capital humano e ameaça a competitividade das empresas.
- Em resumo: Automatizar tarefas sem supervisão crítica pode cortar flexibilidade cognitiva — diferencial que sustenta inovação e receitas.
Flexibilidade cognitiva é a moeda forte na economia digital
Para a pesquisadora, o cérebro humano possui “o maior número de neurônios corticais” do reino animal, conferindo capacidade de prever cenários e criar soluções. Em mercados onde investimentos em IA generativa ultrapassam US$ 50 bilhões, segundo dados da Reuters, essa agilidade mental vira vantagem competitiva — mas só se não for terceirizada.
“A grande diferença entre a nossa inteligência biológica e a artificial é que a IA não está nem aí para a gente. Ela não tem valores”, destacou Herculano-Houzel.
Delegar tudo à máquina pode custar receita futura
Passar decisões estratégicas para algoritmos que priorizam cliques e não propósito corporativo tende a reduzir aprendizado interno e, por consequência, a produtividade — parâmetro que o Banco Central acompanha de perto ao projetar PIB potencial. Para reforçar o ponto, levantamento da Bloomberg Intelligence estima que o mercado de IA pode movimentar US$ 1,3 trilhão até 2032; empresas que não cultivarem competências humanas correm o risco de ficar com a menor fatia desse bolo.
Como isso afeta o seu bolso? Menos inovação interna significa menor bônus, salários estagnados e ações que rendem abaixo do esperado. Para aprofundar o debate sobre eficiência e tecnologia, visite nossa editoria de Economia & Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / São Paulo Innovation Week