Energia mais cara e guerra no Oriente Médio elevam as apostas econômicas
Banco Central Europeu (BCE) – A advertência recente de Yannis Stournaras, integrante do conselho da autoridade monetária e presidente do Banco da Grécia, colocou novamente a palavra “recessão” no horizonte da zona do euro, ao vincular o risco de queda da atividade à escalada dos preços de energia e à imprevisibilidade do conflito no Oriente Médio.
- Em resumo: BCE admite que, se o choque energético persistir, pode revisar a trajetória dos juros para conter uma inflação acima da meta de 2%.
Risco de recuo econômico ganha força no radar dos investidores
Na avaliação do dirigente, o choque atual difere de 2022 porque surge “em um ambiente de crescimento já mais fraco, condições financeiras mais rígidas e espaço fiscal reduzido”. A zona do euro depende de importações para cerca de 60% de suas necessidades energéticas, o que amplia o impacto de cada dólar que o petróleo avança. Dados compilados pela Reuters mostram que o barril do Brent subiu mais de 15% desde o início das hostilidades, pressionando custos em toda a cadeia produtiva.
“As preocupações com a possibilidade de uma recessão na zona do euro são reais e justificadas, dada a nova interrupção negativa do lado da oferta causada pelo conflito no Oriente Médio”, disse Stournaras.
Por que a fala do BCE pode mexer com juros, câmbio e ações
Mesmo após dez altas consecutivas, a taxa de depósito do BCE está em 4,0%, o maior nível desde 1999. A expectativa, até setembro, era de uma pausa prolongada; agora, parte do mercado volta a precificar cortes mais tardios — ou nenhum corte — caso a inflação suba de forma persistente. O PIB do bloco já recuou 0,1% no terceiro trimestre, segundo o Eurostat, e uma contração técnica pode agravar a volatilidade do euro frente ao dólar, além de reduzir o apetite por ações de bancos e empresas industriais.
Como isso afeta o seu bolso? Custos mais altos de energia e crédito podem encarecer produtos importados e limitar o retorno de carteiras expostas à Europa. Para acompanhar os próximos movimentos da política monetária e seus reflexos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Central Europeu