Emoção do eleitor vira variável-chave que pode mexer com preços de ativos
Governo Federal — A poucos meses das convenções partidárias, o Planalto intensifica a tática de atribuir ao Congresso e ao Judiciário a responsabilidade por entraves econômicos, movimento que tende a moldar não só o debate político, mas também a sensibilidade do investidor neste ciclo pré-eleitoral.
- Em resumo: estratégia busca blindar o Executivo de desgaste e, ao mesmo tempo, direcionar expectativas do eleitor sobre emprego, renda e crédito.
Narrativa de “culpa terceirizada” e reflexo na curva de juros
Analistas veem o discurso oficial como tentativa de manter a popularidade enquanto dados macroeconômicos ainda patinam. Ao deslocar a pressão para o Legislativo, o governo procura reduzir o prêmio de risco político embutido nos ativos domésticos, especialmente na curva de juros futuros.
“O desafio para Lula em 2026 é convencer que, se a vida não está melhor, é porque os outros estão impedindo”, avaliou Creomar de Sousa, da Fundação Dom Cabral, durante o programa Mapa de Risco do InfoMoney.
Contexto histórico: quando a retórica impacta o bolso
Não é a primeira vez que Brasília recorre à “terceirização do desgaste”. Em 2018, a tensão entre Executivo e Congresso puxou a taxa DI para cima e elevou o custo do crédito corporativo. Já em 2022, ruídos similares pressionaram o câmbio em ano de forte aversão a risco. O lesson learned: a emoção do eleitor, citada por Creomar, costuma se traduzir em volatilidade de mercado.
Como isso afeta o seu bolso? Caso a narrativa ganhe força sem entrega de crescimento, empresas podem postergar investimentos, encarecendo financiamentos para consumidores e microempreendedores. Para entender outras variáveis que mexem com a economia real, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / InfoMoney