Divisão histórica entre dirigentes põe à prova o novo comando do banco central dos EUA
Federal Reserve (Fed) – Às vésperas da posse de Kevin Warsh, o barril de petróleo girando em torno de US$ 126 reacendeu a inflação norte-americana e provocou a maior dissidência interna desde 1992, aumentando o risco de mudanças bruscas na taxa de juros.
- Em resumo: Quatro votantes contestaram o comunicado do Fed, temendo que o choque do petróleo exija alta de juros já na próxima reunião.
Combustível caro dispara alerta de inflação
Na última quarta-feira, a referência internacional do brent chegou a US$ 126, repetindo níveis vistos somente em março de 2022. Segundo dados da Reuters, a escalada ocorreu após o impasse entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
“Bem-vindo à nova era de dissidências do Fed”, avaliou Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union, ao comentar o racha entre quatro dos doze votantes do FOMC.
Warsh promete “briga de família” para mudar a cultura do FOMC
Indicado pelo presidente Donald Trump e já aprovado em comissão do Senado, Kevin Warsh assume o cargo em 15 de maio com a missão de construir consenso antes da reunião de 16 e 17 de junho. Em sua sabatina, ele defendeu encontros mais “bagunçados”, sem roteiros, para corrigir erros mais cedo.
Historicamente, desacordos marcantes dentro do Fed costumam coincidir com choques de oferta, como o embargo do petróleo dos anos 1970. À época, a instituição elevou a Fed Funds Rate de 10% para 13% em poucos meses para conter a inflação — um precedente que pesa sobre o mercado hoje.
Como isso afeta o seu bolso? Se o novo presidente optar por sinalizar alta de juros, títulos do Tesouro americano podem subir e desvalorizar ações globais, puxando o câmbio no Brasil. Para acompanhar cada virada de política monetária, acesse nossa editoria de Economia e Mercado.
Crédito da imagem: Divulgação / Reuters