Mercado questiona se o atacarejo já perdeu o fôlego de expansão
Assaí (ASAI3) divulgou, na noite de 27/05, um faturamento de R$ 18,6 bilhões no 1T26 – alta de apenas 0,5% – e despertou reações frias dos investidores, que empurraram o papel a uma queda de 5,11% no pregão seguinte.
- Em resumo: Receita estagnada, SSS em –1,1% e lucro recuando 47% para R$ 86 milhões.
Bancos enxergam vendas fracas e confiam mais na eficiência de custos
Citi, XP, BTG Pactual e Itaú BBA convergiram: o trimestre foi morno, mas dentro das projeções. Houve alívio na margem bruta graças a ajustes de preço e créditos de PIS/Cofins, movimento que gerou fluxo de caixa livre de R$ 814 milhões. Ainda assim, a Reuters lembra que o varejo alimentar brasileiro enfrenta a deflação de itens básicos, fator que limita repasses e comprime o topo da linha.
“A ausência de gatilhos de curto prazo mantém nossa recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 11”, resumiu o Citi em relatório aos clientes.
Deflação de alimentos e renda comprimida esfriam o carrinho de compras
O consumidor de menor renda – principal público do atacarejo – sente a combinação de inflação de serviços alta e salários ainda em recomposição. Segundo o IBGE, o grupo ‘Alimentação no domicílio’ acumula deflação em 12 meses, reduzindo o tíquete médio mesmo com tráfego estável nas lojas. Para mitigar o cenário, a varejista reduziu capex, impulsionando a geração de caixa e diminuindo alavancagem, movimento elogiado por Bradesco BBI, que manteve preço-alvo de R$ 13.
Como isso afeta o seu bolso? Com margens sob pressão, promoções agressivas tendem a ser raras nos próximos meses. Para acompanhar outras análises de varejo e mercado, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Assaí