Nova previsão surge em meio a petróleo caro e tensão no Oriente Médio
Banco Inter – A revisão apresentada em 27/05 recalibra câmbio, inflação e taxa Selic para 2026, mexendo imediatamente nas apostas de tesourarias e investidores individuais.
- Em resumo: dólar recua para R$ 5,10 na projeção, mas IPCA sobe a 4,9% e Selic deve terminar 12,75%.
Câmbio: real ganha tração com superávit recorde
A dupla de economistas Rafaela Vitória e André Valério atribui o corte na projeção do dólar ao “enfraquecimento global da moeda americana” somado à melhora dos termos de troca brasileiros. O petróleo caro, paradoxalmente, reforça o fluxo positivo de dólares ao país por causa das exportações de commodities. Segundo dados compilados pela Reuters, o DXY – índice que mede o dólar frente a seis pares – já cedeu mais de 5% desde janeiro.
“Enxergamos superávit comercial acima de US$ 80 bilhões em 2026, sustentando o patamar mais forte do real”, escreveram os analistas na nota enviada a clientes.
Inflação e juros: alívio cambial não freia choque de oferta
Do lado dos preços, o Inter elevou o IPCA de 4,3% para 4,9% diante do salto superior a 50% no barril de Brent após o fechamento do Estreito de Ormuz. O banco lembra que a inflação de março surpreendeu em 0,88% e projeta abril perto de 1%. Para a Selic, a estimativa é de corte moderado de 0,25 ponto percentual nesta semana, levando a taxa a 14,50% e encerrando 2026 em ainda restritivos 12,75%.
Para efeito de comparação, o núcleo da inflação rodava em 3,5% antes da crise geopolítica — bem acima da meta central de 3%, segundo série histórica do Banco Central. Com o repasse defasado dos combustíveis e salários pressionados nos Estados Unidos, o risco é de um “carrego” inflacionário até 2027, limitando espaço para cortes mais profundos.
Fiscal e PIB: equilíbrio frágil em ano eleitoral
A instituição ainda projeta déficit primário de 0,7% do PIB e dívida bruta a 83% em 2026, fatores que podem manter a curva longa de juros pressionada. O PIB, embora sustentado por agro e mineração neste primeiro trimestre, deve crescer apenas 1,8% no acumulado do ano, com consumo das famílias desacelerando à medida que o crédito encarece.
Como isso afeta o seu bolso? Um câmbio mais baixo pode baratear importados e viagens, mas a inflação de serviços e a Selic elevada tendem a manter o custo de financiamento salgado. Para mais análises sobre juros e câmbio, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Banco Inter