Prazo de adesão acaba em 6 de junho e pressiona debenturistas
Raízen — gigante de bioenergia controlada por Shell e Cosan — elevou a proposta de capitalização para entre R$ 2,5 bi e R$ 5 bi, na tentativa de selar um acordo extrajudicial de R$ 65 bi com credores antes do prazo legal de 6 de junho. O movimento preserva Rubens Ometto na presidência do conselho, ponto que continua a travar as conversas.
- Em resumo: mais dinheiro na mesa, mas sem mudança no comando do colegiado.
Nova injeção de caixa não atinge a meta dos credores
Pela contraproposta, a Raízen amplia o aumento de capital — ainda abaixo dos R$ 8 bi exigidos pelos detentores de dívida — e mantém o compromisso prévio de R$ 4 bi já assegurados por Shell e pelo próprio Ometto. A empresa também oferece 70% de participação num eventual swap de dívida por ações, mas recusa destinar 30% da venda de ativos argentinos ao abatimento dos passivos, conforme pedido pelos bancos. A informação foi antecipada pela Bloomberg.
“A companhia resiste a ceder maioria no conselho e a responsabilizar executivos por passivos futuros”, relatou uma fonte próxima às negociações.
Governança em xeque e impacto no custo da dívida
Ao aceitar apenas a criação de um comitê de credores, a Raízen tenta ganhar tempo e evitar a recuperação judicial, instrumento que costuma impor descontos agressivos e alongamentos severos. O embate ocorre num contexto de Selic ainda em dois dígitos e mercado de crédito corporativo seletivo, o que eleva o prêmio exigido pelos investidores para rolar dívidas de empresas alavancadas.
Historicamente, operações de debt-to-equity swap são adotadas para reduzir alavancagem sem saída de caixa, mas diluem acionistas e alteram o controle. Manter Ometto no comando, portanto, adiciona incerteza sobre a efetividade da reestruturação e pode prolongar a permanência dos títulos da companhia no território “distressed”, status que encarece novos financiamentos.
Como isso afeta o seu bolso? Caso a Raízen não consiga adesão suficiente, o risco de default cresce e pode contaminar preços de debêntures de outras empresas do setor sucroenergético. Para acompanhar análises diárias sobre riscos corporativos, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Raízen