O CDB pós-fixado é aquele cujo rendimento acompanha um índice que muda com o tempo, quase sempre o CDI, que anda colado na taxa Selic. Você não sabe o valor exato que vai receber, mas sabe a regra: render um percentual do CDI, todo dia, enquanto o dinheiro ficar aplicado.
É o tipo mais comum e o mais indicado para a maioria das pessoas. Só que não é o único, e escolher o errado custa rendimento.
Existem três formas de um CDB pagar juros — pós-fixado, prefixado e híbrido — e cada uma vence em um cenário diferente. Entender a diferença é o que separa quem usa o CDB como ferramenta de quem só deixa o dinheiro em qualquer opção que o gerente ofereça.

Como o CDB pós-fixado funciona na prática
Ao comprar um CDB, você empresta dinheiro ao banco e ele devolve com juros. No pós-fixado, esses juros são expressos como um percentual do CDI — algo como “110% do CDI”. Como o CDI acompanha a Selic, o seu rendimento sobe quando os juros sobem e cai quando eles caem.
A grande vantagem é a previsibilidade da regra, não do valor. Você nunca perde para a variação do mercado: o título rende positivo todo dia útil, sem oscilação de preço. Por isso o pós-fixado é o queridinho de quem quer segurança e liquidez sem dor de cabeça.
Quanto maior o percentual do CDI, melhor. Um CDB que paga 95% do CDI rende menos que a Selic cheia; um que paga 110% rende acima dela. Bancos grandes costumam oferecer percentuais menores; bancos médios e financeiras pagam mais para atrair dinheiro.
Os três tipos de CDB
- Pós-fixado: rende um percentual do CDI. Sobe e desce com os juros. Ideal para reserva e para quem quer não errar. É o padrão do mercado.
- Prefixado: paga uma taxa fixa combinada na compra, por exemplo 12% ao ano. Você sabe o valor exato do resgate, mas aposta que os juros não vão subir acima disso.
- Híbrido (IPCA+): paga a inflação mais uma taxa fixa, tipo “IPCA + 6%”. Garante ganho acima da inflação, protegendo o poder de compra no longo prazo.
A lógica é a mesma do Tesouro Direto: o pós-fixado equivale ao Tesouro Selic, o prefixado ao Tesouro Prefixado e o híbrido ao Tesouro IPCA. Se você já entendeu a comparação entre Selic e IPCA, já entendeu o CDB.
Quando cada um vale mais a pena
O pós-fixado brilha quando os juros estão altos ou subindo, e para qualquer dinheiro que você possa precisar sacar a qualquer momento. É a escolha certa para a reserva de emergência e para objetivos de curto prazo.
O prefixado faz sentido quando os juros estão altos e a expectativa é de queda: você trava uma taxa gorda por anos. O risco é a inflação corroer esse ganho fixo. Já o híbrido é o melhor para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, porque garante um ganho real acima da inflação, aconteça o que acontecer com os preços.
| Tipo | Rende conforme | Melhor cenário | Serve para |
|---|---|---|---|
| Pós-fixado | % do CDI | Juros altos ou subindo | Reserva e curto prazo |
| Prefixado | Taxa fixa | Juros altos prestes a cair | Metas de prazo definido |
| Híbrido | IPCA + taxa | Proteção contra inflação | Longo prazo e aposentadoria |
Um exemplo com números para fixar
Suponha que o CDI esteja em 11% ao ano e você compare dois CDBs pós-fixados: um de banco grande pagando 95% do CDI e um de financeira pagando 115%. No primeiro, o rendimento bruto fica perto de 10,45% ao ano; no segundo, de 12,65%. Sobre R$ 20 mil em um ano, isso é uma diferença de mais de R$ 400, pelo mesmo risco coberto pelo FGC.
Agora troque o cenário: os juros caem e o CDI vai a 8%. O seu CDB pós-fixado acompanha e passa a render menos, sem susto nem perda de valor. Quem estava no prefixado travado em 12% comemora; quem precisava sacar no pós-fixado continua com liquidez e rendimento positivo. Nenhum é errado — cada um respondeu ao cenário para o qual foi feito.
Essa é a mentalidade certa: o pós-fixado não é o que rende mais em todo cenário, é o que nunca te surpreende. Você troca o teto de ganho por tranquilidade, e para a maior parte do dinheiro isso é exatamente o que se quer.
A garantia que muda tudo: o FGC
Todo CDB é protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos, que devolve até R$ 250 mil por CPF e por instituição, com um teto total de R$ 1 milhão renovável a cada quatro anos, caso o banco emissor quebre.
É por isso que faz sentido buscar CDBs de bancos menores, que pagam mais: dentro do limite do FGC, o risco de crédito é praticamente o mesmo de um banco grande. O que muda é só o percentual do CDI que cai no seu bolso.
O imposto e a liquidez que você precisa checar
O CDB tem Imposto de Renda regressivo, igual ao Tesouro: começa em 22,5% para saques em até seis meses e cai até 15% depois de dois anos. O imposto sai só no resgate, sobre o lucro. A lógica é a mesma detalhada no guia sobre o imposto do Tesouro Direto.
Antes de aplicar, confira a liquidez. Existe CDB com liquidez diária, que você resgata quando quiser, e CDB com vencimento, que prende o dinheiro até uma data. Para a reserva, só liquidez diária. Para metas com prazo, o CDB de vencimento costuma pagar mais por manter o dinheiro travado.
CDB ou poupança: a conta que não erra
Um CDB pós-fixado de liquidez diária pagando 100% do CDI rende bem mais que a poupança e tem a mesma proteção do FGC, com resgate a qualquer momento. Para dinheiro parado, trocar a poupança por um CDB desses é das decisões mais simples e mais lucrativas que existem.
Se você está montando a base da sua vida financeira, vale ler também como começar a investir do zero e onde guardar a reserva de emergência — o CDB pós-fixado costuma ser a peça central dos dois.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre CDB e CDI?
O CDB é o investimento; o CDI é o índice que serve de referência para o rendimento dele. Quando um CDB paga “110% do CDI”, ele entrega 110% da variação desse índice, que por sua vez acompanha a Selic de perto.
CDB pode dar prejuízo?
O pós-fixado e o prefixado, se levados ao vencimento, não dão prejuízo nominal — sempre rendem positivo. O único risco real é o banco emissor quebrar, e para valores dentro de R$ 250 mil o FGC cobre. O híbrido pode oscilar se vendido antes do prazo no mercado secundário.
Quanto preciso para investir em CDB?
Pouco. Há CDBs a partir de R$ 1 nas corretoras, embora os que pagam os melhores percentuais do CDI às vezes peçam um valor mínimo maior. Dá para começar com quantias modestas e ir aportando.
Preciso declarar CDB no Imposto de Renda?
Sim. O saldo entra na ficha de bens e direitos e o rendimento tributado na fonte vai na ficha própria. O banco fornece o informe anual com os valores prontos para copiar na declaração.
O que é o come-cotas? Ele afeta o CDB?
Não. O come-cotas é uma antecipação semestral de imposto que incide sobre alguns fundos de investimento, e o CDB não sofre isso: nele o Imposto de Renda só é cobrado no resgate. É mais uma vantagem do CDB frente a certos fundos de renda fixa.
Qual a diferença entre CDB e LCI ou LCA?
CDB, LCI e LCA são todos renda fixa de banco com proteção do FGC. A grande diferença é o imposto: LCI e LCA são isentas de IR para a pessoa física, enquanto o CDB é tributado. Por isso vale sempre comparar o rendimento líquido, como no guia sobre LCI ou CDB.
CDB pós-fixado: o que levar deste guia
O pós-fixado é o CDB para a maioria das situações: rende um percentual do CDI, nunca oscila para baixo e serve de reserva. Guarde o prefixado para travar juros altos e o híbrido para o longo prazo. Em todos, mire o maior percentual do CDI dentro do limite do FGC e confira a liquidez antes de aplicar. Com isso, o CDB deixa de ser o que o gerente empurra e vira o que você escolhe — a base de qualquer estratégia de renda fixa.
Conteúdo educativo e informativo, sem recomendação de investimento. Rentabilidades passadas não garantem resultados futuros; avalie seus objetivos antes de investir.
